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Atraso de jogo de Jujutsu Kaisen expõe aposta arriscada no “Switch 2” ainda invisível

Foi a própria Shueisha Games quem anunciou o balde de água fria: Jujutsu Kaisen Rumble: Survivaton não chega mais no fim de 2024, como prometido. O adiamento, sem nova data, atinge em cheio os fãs que já contavam com o título como estreia não oficial do chamado “Nintendo Switch 2”.

O recuo expõe um detalhe que pouca gente fora dos bastidores percebeu: desenvolvedores terceirizados receberam kits preliminares do suposto novo hardware, mas a Nintendo ainda não cravou specs, preço ou calendário. Faltou chão — e o hype virou armadilha.

A transição de console virou campo minado para jogos de anime

Desde 2022, editoras que licenciam mangás correm para ocupar o espaço que Bandai Namco domina há duas décadas. A Shueisha, dona de Jujutsu Kaisen, criou selo próprio de games e apostou alto em um aparelho que só existe nos corredores de Kyoto. O movimento parecia lógico: o shonen é uma das cinco IPs mais lucrativas do estúdio Mappa e gerou corrida por itens premium, como se viu com Evangelion x Godzilla e o Luffy exclusivo da NYCC. Só que videogame, ao contrário de colecionável, depende de hardware pronto.

Analistas de cadeia de suprimentos indicam que a Nintendo atrasou a linha de montagem de componentes para evitar concorrência direta com PlayStation 5 Slim no Natal. Sem confirmação oficial, qualquer data cravada por terceiros vira roleta russa. A Shueisha entrou na mesa – e perdeu a mão.

Trailer novo entrega pistas de onde o projeto emperrou

Para não deixar o palco vazio, a publisher soltou um vídeo de três minutos que mostra combates 4 vs 4, partículas mais pesadas e transições dinâmicas de cenário. O que anima o fã atento também revela o obstáculo: todas as cenas rodam em motor customizado que tenta encaixar ray tracing leve, tecnologia ausente no Switch atual. Ou seja, o game nasceu mirando o chip Nvidia Tegra de nova geração; portar para o console de 2017 traria downgrade demais e dobraria custos.

Fontes ligadas ao estúdio citam dois gargalos: otimização de FPS em batalhas com 32 inimigos simultâneos e licenças musicais de opening inédita, que precisam de aprovação de escritório global. Sem janela de hardware definida, abrir pré-venda seria irresponsável. A Sony passou por situação parecida com Final Fantasy VII Rebirth, mas tinha máquina no mercado; aqui, a sensação é de frase não terminada.

Shueisha ensaia independência, mas aprende a dor do cronograma real

O atraso tem outro recado: a editora quer provar que consegue publicar jogos sozinha, sem a muleta da Bandai. A experiência de Jujutsu Kaisen Rumble serviria de espelho para futuros títulos de One Piece — que já balançaram a régua de poder no anime, como lembramos em Zoro e Sanji encurtam a distância para Luffy. Ao esbarrar no tempo de fábrica da Nintendo, a Shueisha aprende que controlava o mangá, o anime e o marketing, mas não o silício.

No curto prazo, o fandom ganha só um trailer turbinado; no médio, a lição pode render lançamentos mais realistas e menos reféns de rumores de hardware. Já o “Switch 2” continua um fantasma valioso: capaz de atrasar um blockbuster antes mesmo de nascer.

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