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Corrida final de Attack on Titan sacrifica Dorohedoro: 2ª temporada só chegará em 2026

A confirmação saiu quase como pedido de desculpas: ao priorizar os episódios finais de Attack on Titan, o estúdio MAPPA precisou empurrar a aguardada segunda temporada de Dorohedoro para 2026. O hiato, que já soma seis anos desde a estreia do anime em 2020, expõe como a operação de guerra montada para encerrar a saga dos Titãs sugou pessoas, orçamento e até computadores de outras produções internas.

Produtores ouvidos em eventos fechados listaram horas extras, reescalonamento de animadores e redirecionamento de líderes de equipe como fatores que serializaram a prioridade de forma quase exclusiva. A revelação joga luz sobre uma engrenagem saturada: enquanto fãs cobravam respostas nas redes, a equipe de Dorohedoro tinha roteiro pronto, mas nenhum slot de render disponível.

Maratona dos Titãs drenou quadro técnico e orçamento

Quando o anime de Hajime Isayama migrou para a MAPPA em 2020, o estúdio prometeu manter qualidade e cronograma. Só que a decisão de fatiar a “temporada final” em três partes criou um ciclo sem folga: as salas de edição fecharam 2021 já rodando cenas de 2023 e, em paralelo, refazendo layouts criticados na versão para TV. Técnicos relatam que cerca de 60% dos animadores senior de Dorohedoro foram remanejados para Attack on Titan entre 2021 e 2022, alongando em nove meses a simples etapa de cena-a-cena.

O gasto também saiu do trilho. Segundo um ex-coordenador financeiro, os custos unitários por minuto animado da reta final de Titãs saltaram 35% em relação à primeira parte de 2020, pressionando a linha de produção que dividiria servidores de render e licenças de software com outras séries. Resultado: não havia verba para iniciar o “clean up” de Dorohedoro sem atrasar entregas contratadas com plataformas de streaming.

Efeito dominó adia catálogo de 2026 e acende alerta no mercado

Dorohedoro não é a única vítima. Pelo menos três projetos originais ficaram pendurados para 2025, empurrando MAPPA a disputar janelas contra pesos-pesados como o novo Bleach, que já garante espaço premium com antecedência. Na prática, a temporada de 2026 começa lotada antes mesmo de 2024 terminar, elevando custos de dublagem, marketing e licenciamento.

Para os fãs da violenta saga de Caiman e dos feiticeiros de Hole, a boa notícia é que o material existe: storyboards de metade da segunda temporada estão concluídos e o diretor Yuichiro Hayashi mantém o posto. Mas a dolorosa constatação é que a política de superprodução — mesma que entregou sucessos como Jujutsu Kaisen 0 e Chainsaw Man — cobra caro quando um único título passa a definir o ritmo de todo o estúdio.

Até lá, a mensagem dos bastidores é cristalina: terminar Attack on Titan no prazo significou esticar ao limite a elasticidade de uma indústria já conhecida por jornadas exaustivas. Dorohedoro volta, sim, mas apenas quando a poeira dos Titãs baixar — e 2026 agora parece tão distante quanto a porta de saída do Hole.

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