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Bandai entrega a vez de Luna e usa pelúcia gigante para reaquecer a febre Sailor Moon

Nem Sailor Moon conseguiu isso em trinta anos: colocar a própria gata Luna, sozinha, no topo do catálogo premium da Bandai. A fabricante japonesa abriu nesta quarta (10) a pré-venda de uma pelúcia de 50 cm que inaugura a série Nui’s Dreamy Hug, criada para abraçar e ocupar metade do sofá — e a carteira de quem ainda sabe cantar “Moonlight Densetsu” de cor.

O anúncio vira a chave de um mercado que passou a olhar para coadjuvantes como protagonistas de luxo. Ao apostar na mascote, a Bandai testa o apetite dos fãs por itens que extrapolam o poste-prateado da heroína e, de quebra, reforça a disputa com gigantes como LEGO, que recentemente irritou fãs de Yu-Gi-Oh! ao limitar o set de Exodia.

Luna ganha protagonismo e preço de colecionador

Disponível apenas no site Premium Bandai até 13 de agosto, a pelúcia custa 13 200 ienes — cerca de R$ 440 sem impostos — e começa a ser enviada em dezembro. O valor coloca Luna na mesma prateleira de estátuas resinadas, mas com outro argumento: abraçabilidade. O corpo macio mede meio metro, tem enchimento antialérgico e vem com o indefectível laço vermelho do longa “Sailor Moon R” (1993), referência que escaparia a quem associa o animal apenas à série de TV.

Embora o grupo costume reciclar a heroína em bonecas articuladas, chokers ou réplicas da Moon Stick, é a primeira vez que Luna aparece como item solo e em escala gigante. Segundo executivos ouvidos pela imprensa japonesa, o design nasceu de pesquisas que detectaram “vontade de conforto” em adultos que cresceram nos anos 90 — o mesmo público que fez esgotar, em 2022, as toalhas temáticas lançadas para o 30º aniversário do anime.

Bandai corre para ocupar a lacuna nostálgica antes dos rivais

Internamente, o projeto Dreamy Hug é tratado como antídoto contra a pulverização dos catálogos de streaming, que reexibem clássicos e reativam memórias de consumo. A lógica é simples: se o assinante revê Sailor Moon na madrugada, acorda com vontade de levar um pedaço tangível da série para casa. A Bandai quer ser a primeira janela dessa emoção — não a Funko, nem a concorrente de bootlegs na Shopee.

O timing também mira 2025, quando a Toei deve confirmar novos projetos animados da franquia. A empresa sabe que, sem produtos inéditos, a marca corre o risco de parecer congelada, como aconteceu com Transformers até que a rival Hasbro reagiu com o kit Blokees de Optimus Prime. Ao colocar Luna no jogo agora, a Bandai pavimenta terreno para lançamentos em cascata — Artemis, Diana e possivelmente a forma humana da própria gata — mantendo o feed social dos fãs permanentemente abastecido.

O detalhe que poucos notam

Além do tamanho, o bordado norelho esquerdo esconde a constelação de Câncer, mesma que rege o signo de Usagi em perfis oficiais antigos, mas quase nunca mencionada. É um aceno aos colecionadores que rastreiam micro-referências e valorizam o produto como peça canônica — sinal de que a Bandai conversa diretamente com quem paga caro por causa de três pontos de linha.

A aposta em Luna é, portanto, menos um mimo felpudo e mais um termômetro: se a pelúcia esgotar rápido, a Bandai provará que não precisa mais repetir a heroína em mil variações para manter o universo Sailor Moon girando — basta iluminar, de vez em quando, quem sempre ficou à sombra do broche lunar.

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