O próximo filme de Matt Reeves não só ganhou novo título — “The Batman: Part II” — como também vai quebrar a regra número 1 que consagrou a estreia de 2022: nada de ameaças fora do plausível. Fontes próximas à produção confirmam que o diretor autorizou, pela primeira vez, a presença de vilões com habilidades sobre-humanas, algo que seus roteiros anteriores vetavam com rigor quase dogmático.
Esse giro de 180 graus muda a balança de poder em Gotham e, de quebra, reposiciona o “Bat-verso” de Reeves no xadrez traçado por James Gunn. A decisão explica por que o longa de Clayface foi acelerado e ganhou um trailer que o conecta à crise cósmica de “Lanterns”: ambos agora jogam no mesmo tabuleiro, ainda que em cantos diferentes.
Reeves enterra o veto ao fantástico
Até aqui, o cineasta vendia sua Gotham como um thriller policial barulhento, mas estritamente crível — com gangues reais, corrupção sistêmica e chuva ácida, mas zero de superpoder. Esse “contrato de realidade” era o fio comum entre The Batman e a série The Penguin, centrada no caos pós-charada no Iceberg Lounge. O contrato foi rasgado.
Na nova versão do roteiro, circula o nome de Basil Karlo, o Clayface clássico, cuja mutação corpórea exige efeitos que não caberiam no universo pé-no-chão de 2022. A equipe de arte já trabalha em protótipos de “morfagem orgânica” — nada de maquiagem apenas, mas um corpo maleável criado em captura de movimento. Com isso, Reeves admite finalmente que “fantástico” não é palavrão, contanto que sirva ao drama noir que ele não abre mão.
Mudança dá pista do elo secreto com o novo DCU
No mesmo mês em que o diretor afrouxou o realismo, a DC Studios trocou o nome do filme do universo principal para “The Brave and the Bold”, move que separa os dois Cavaleiros em faixas distintas de público. Curiosamente, a libertação de Reeves cria uma ponte invisível: seus personagens agora podem escalar de uma disputa de máfia para uma ameaça que flerta com crises multicoloridas dos Lanternas — sem que isso soe importação forçada.
Para executivos ouvidos pela coluna, o sinal verde ao sobrenatural foi condição tácita para James Gunn potencializar crossovers futuros sem colidir cronogramas. A peça final surge em agosto, quando a HBO Max lança “Lanterns” e, três semanas depois, entrega outra série ambientada em Gotham, como já antecipado em planejamento interno revelado pela plataforma. O timing aponta que “Part II” precisará conversar, ao menos conceitualmente, com a saga de luzes e cores no espaço.
O detalhe que passa batido: ao aceitar vilões “impossíveis”, Reeves não apenas expande seu próprio quintal — ele blinda o futuro de Robert Pattinson. Um Batman que encara monstros de barro sem perder a verossimilhança pode, lá na frente, enfrentar heróis médios, como analisa o estudo de elenco de “Superman 2”, sem virar coadjuvante. O Cavaleiro solitário de 2022 acabou; nasce agora um cruzado aberto ao impossível, mas ainda alheio à Liga de Justiça de Gunn — por enquanto.

