James Gunn encontrou uma maneira elegante de tirar o velocista escarlate dos holofotes sem avisar — e a pista estava escondida na escalação de “Superman”. Ao adicionar o Sr. Incrível (Edi Gathegi) ao elenco, o diretor garantiu para seu filme de estreia o mesmo cérebro tático-científico que Barry Allen costumava oferecer à Liga da Justiça, mas sem carregar a crise de imagem que ainda ronda Ezra Miller.
Na prática, “Superman” se converte no primeiro “filme-ponte” da nova Liga. Enquanto os fãs calculavam quando veriam o Flash recastado, o DCU decidiu simplesmente não precisar dele por ora. O movimento muda a química da futura equipe e abre margem para que o velocista só apareça quando o universo compartilhado já estiver consolidado.
Sr. Incrível ocupa o posto de “mente mais rápida” logo na largada
Nos quadrinhos, Michael Holt é descrito como o terceiro homem mais inteligente da Terra, domina 14 doutorados e usa esferas T para decifrar qualquer equação em segundos. Traduzindo para cinema, ele entrega o mesmo pacote de “pensar em hipervelocidade” que Barry Allen exibia em laboratório — só que sem depender de efeitos caríssimos de câmera lenta nem de um ator em quarentena midiática.
Fontes ligadas à produção contam que Holt será apresentado como consultor de tecnologia para o governo americano, condição que facilita seu encontro com Clark Kent e paveia a futura aliança heróica. O gancho dialoga com a foto de bastidor de “Man of Tomorrow” que já indicava conexão direta entre Superman e a ala tática de “Peacemaker”. No roteiro, Mr. Terrific é quem decifra o enigma alienígena que nenhum satélite consegue ler, reforçando o arquétipo de “mente mais rápida que o teclado”.
Gunn empurra o recasting do Flash para depois da fase 1
Manter o Flash fora de cena resolve três problemas de uma tacada. Primeiro: dá ao estúdio tempo para acompanhar a repercussão de “The Flash” de 2023 e medir desgaste de público antes de anunciar novo ator. Segundo: evita choque de cronograma com “Lanterns”, cuja série já explora o conceito de patrulha planetária em alta velocidade, como apontou a suspeita quarentena alienígena em Rushville. Terceiro: libera orçamento de efeitos para focar na construção de Metrópolis e no vilão ainda mantido em segredo.
Internamente, executivos falam em “janela Flash” apenas para depois de 2027, possivelmente atrelada a um crossover que expanda o Multiverso. Até lá, quem cumpre a função científica é Holt, enquanto a cota de leveza fica com Guy Gardner, já confirmado em “Superman”. A estratégia é sorrateira: mantém a Liga funcional sem precisar apressar a substituição de um personagem arranhado.
Dinâmica da nova Liga ganha tom mais tático que supersônico
Diferente da versão de Zack Snyder, em que o Flash era o novato ansioso, o DCU prioriza um núcleo de veteranos racionais. Sr. Incrível injeta estratégia, Gardner traz punchline galáctico e o Batman de “The Brave and the Bold” adicionará experiência de campo. A ausência de um velocista também altera o desenho das ameaças: roteiristas podem investir em perigos menos centrados em “correr contra o tempo” e mais em dilemas morais, como já sugerido em Supergirl de Milly Alcock.
No fim, o Flash continua sendo peça valiosa do tabuleiro, mas Gunn demonstrou que o jogo consegue prosseguir sem ele. Ao transformar o Sr. Incrível no “velocista cerebral” da Liga, o DCU ganha tempo, controvérsia zero e ainda sinaliza que, desta vez, pensar pode ser tão heroico quanto correr.

