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Disney recua na briga pelo IMAX de Avengers: Doomsday e entrega sinal de trégua aos cinemas

Bob Iger poderia ter batido o pé e exigido exclusividade nas salas IMAX, mas preferiu colocar o orgulho no bolso. Ao comentar, nesta semana, a decisão de estrear Avengers: Doomsday sem parte dos cobiçados telões que ficarão com Dune: Parte Dois, o chefe da Disney retratou o revés como “oportunidade de programação” para as redes de cinema — e não como derrota estratégica.

Por trás do tom conciliador, está um cálculo frio: manter a cadeia exibidora engajada no verão norte-americano, preservar a bilheteria de Doomsday e, de quebra, testar um modelo de janelas sobrepostas que pode virar padrão enquanto a Marvel reforma sua fase 6, já exposta por movimentos como o pôster só com heroínas e a volta de Nick Fury antes do esperado.

Perder o IMAX hoje para faturar mais amanhã

Oficialmente, a Marvel “não está pedindo para os cinemas abandonarem suas marcas”, como disse Iger, mas o subtexto é outro. Após anos empurrando lançamentos potentes em calendários engessados, o estúdio percebeu que impor força bruta — especialmente sobre tecnologias premium que inflacionam ingressos — acirrou o desgaste com exibidores durante a pandemia. O revés com Dune virou pretexto para um gesto de boa-vontade que custa pouco: Doomsday estreia em formatos tradicionais, ganha o IMAX quatro semanas depois e, nesse intervalo, mede a própria força em salas convencionais.

Executivos de redes como AMC e Cinemark já vinham reclamando do “efeito funil” criado por títulos Disney que paralisavam a rotação de blockbusters. Agora, o acordo escalonado distribui risco: se o boca a boca de Doomsday vingar, ele entra turbinado nos telões; se esfriar, os cinemas não ficam reféns de uma janela cara. Para a Disney, o aprendizado interessa a projetos com calendário sensível, caso do aguardado VisionQuest, que pode esbarrar em eventos esportivos na mesma época.

A brecha que reescreve a fase 6 da Marvel

A manobra também ajuda a Marvel a redesenhar as próprias apostas narrativas. Sem a obrigatoriedade de esmagar a concorrência logo no primeiro fim de semana, a campanha de Doomsday pode alongar mistérios já plantados — como o silêncio sobre a Feiticeira Escarlate, explorado pela casa como arma de marketing — e reforçar viradas paralelas, entre elas o pôster só com mulheres enfrentando Doutor Destino.

Nesse novo ritmo, a revelação de que Nick Fury voltará em filme anterior, conforme adiantou Samuel L. Jackson, deixa de parecer conflito de agenda e vira engrenagem planejada. Em outras palavras, ao ceder parte do IMAX a Dune, a Disney compra tempo para calibrar expectativas, reduzir sobreposição de personagens e, principalmente, evitar que um tropeço contamine todo o cronograma mutante que inclui pistas sobre Jean Grey e o retorno de vilões cósmicos.

O detalhe que passa batido: renegociação silenciosa de receita

Fontes ligadas a grandes exibidoras afirmam que o acordo traz uma cláusula pouco comentada: ingressos de Doomsday vendidos nas primeiras três semanas terão participação maior para os cinemas, compensando a ausência do ágio IMAX. Esse repasse adicional, pequeno em percentual, faz grande diferença em salas menores que operam com margem apertada.

Ao trocar exclusividade por percentual, a Disney experimenta uma via que pode destravar futuras negociações e até abrir espaço para projetos de orçamento médio — entre eles o longamente cobrado filme solo do Motoqueiro Fantasma de Ryan Gosling, que esbarra justamente na viabilidade de exibição premium. Se a conta fechar agora, o público verá mais diversidade de gêneros no selo Marvel sem que cada lançamento precise monopolizar o maior telão da cidade.

Assim, a batalha pelo IMAX que parecia mera rivalidade de gigantes revela uma virada mais ampla: a Marvel abandona o “tudo ou nada” dos últimos anos e ensaia parceria menos agressiva com quem põe suas histórias na tela grande. Para um estúdio que planeja sagas até 2030, ganhar aliados no hall de entrada pode valer mais do que vencer uma queda de braço em fevereiro.

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