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Com filmagens encerradas, Intergalactic vira o jogo para a Naughty Dog às vésperas do State of Play

O último “corta!” de Neil Druckmann soou nesta terça-feira (28) e selou 14 meses de captura de performance para Intergalactic: The Heretic Prophet, nova aposta exclusiva do PlayStation 5. O fim das filmagens coloca a Naughty Dog de volta ao modo ofensivo depois de um ano marcado por cortes de equipe e pelo engavetamento de The Last of Us Factions.

Fechar o set agora não é coincidência: a Sony confirmou uma State of Play para as próximas semanas, e o estúdio nunca esteve tão carente de um anúncio que recoloque seu nome no alto do feed. A produção, até aqui mantida em sigilo, ganhou peso de superestreia e já mexe com o mercado de pré-venda antes mesmo de exibir um único frame ao público.

Primeiro jogo da casa gravado em volume LED e repleto de cinema em casa

Intergalactic marca a estreia de um set de volume LED nos estúdios da Naughty Dog em Santa Mônica, tecnologia capaz de projetar cenários dinâmicos em tempo real ao redor dos atores — a mesma que deu cara a The Mandalorian. O recurso reduz a dependência de pós-produção e permite que direção de arte, iluminação e captura de movimentos aconteçam num único espaço, comprimindo meses de pipeline.

Segundo fontes próximas à equipe, o roteiro parte de uma velha ideia de Druckmann engavetada antes mesmo de Uncharted 4: um profeta que acorda séculos depois de detonar a guerra que extinguiu a própria humanidade. O tom é de ópera espacial e, diferente das sagas lineares do estúdio, aposta em hub worlds que o jogador revisita — algo mais próximo de God of War Ragnarök do que de Uncharted.

O elenco reforça o DNA cinematográfico: Mahershala Ali deu voz e corpo ao protagonista, enquanto Anya Taylor-Joy interpreta a antagonista — a presença dela havia vazado durante a greve do SAG-AFTRA, quando gravações ficaram suspensas por dois meses. Nesse intervalo, a Sony redistribuiu recursos para equipes mobile, movimento que lembrou a ofensiva da companhia sobre a GungHo, detalhada quando infiltrou um braço musical no mercado mobile.

Cronômetro da Naughty Dog pressiona o State of Play e sugere janela de 2025

A tradição recente da PlayStation Studios indica que títulos em fase de gold master precisam de 12 a 15 meses entre a filmagem final e o lançamento. Foi assim com The Last of Us Parte II. Se o estúdio repetir o intervalo, Intergalactic ocupará o fim de 2025 — época em que a Sony projeta pico de vendas de PS5 Slim e, possivelmente, do PS5 Pro.

Para a Naughty Dog, acertar essa data não é luxo: é sobrevivência de reputação. Depois dos adiamentos de Factions, a imagem pública ficou manchada num momento em que concorrentes, como a Rockstar, já exibem a musculatura narrativa de GTA 6. Se Druckmann aparecer no State of Play apenas com logo e promessas, a mensagem vira fumaça; com filmagens concluídas, existe material para um teaser robusto que feche a lacuna.

Executivos ouvidos na indústria enxergam Intergalactic como o teste-piloto da “fase 2” da PlayStation Studios, pautada por narrativas que cruzem mídias. A série da HBO assegurou tal modelo para The Last of Us; agora, a aposta é começar pelo jogo e depois avançar para streaming. Encerrar as câmeras cedo significa dar às equipes de marketing e trans-mídia pelo menos dois anos para sincronizar esse plano. O relógio corre, mas, ao que tudo indica, a Naughty Dog voltou a ter o tempo a seu favor.

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