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Fim do app Funimation no Switch acende alerta sobre atraso multimídia da Nintendo

Em 2 de abril, qualquer dono de Nintendo Switch que apertar o ícone lilás da Funimation para ver Attack on Titan ou Spy x Family receberá uma mensagem de adeus. O aplicativo, lançado em 2021 como vitrine de anime no híbrido da Nintendo, será desligado de vez, sem atualização substituta e sem direito a assistir a compras digitais feitas na própria plataforma.

O corte parece localizado, mas coloca em xeque uma decisão maior: a Nintendo nunca tratou o Switch como centro de entretenimento — e agora perde justamente o app que mais animava o catálogo de vídeo do console. Na véspera de um sucessor já praticamente confirmado, a empresa terá de responder se quer repetir o erro ou finalmente competir com PlayStation e Xbox também fora dos jogos.

Saída do Funimation escancara a lacuna de serviços no Switch

Segundo comunicado enviado aos assinantes, o aplicativo será removido da eShop mundial e deixará de funcionar inclusive para quem já o baixou. Usuários com assinatura ativa recebem instruções para migrar ao serviço da Crunchyroll, mas quem comprou filmes unitários — vendidos como “acesso permanente” — ficará sem alternativa oficial no console. Em outras palavras: a licença permanece válida, porém inacessível no hardware da Nintendo.

O impacto é maior do que um simples deslistamento. Hoje, o Switch oferece oficialmente apenas YouTube, Crunchyroll e a versão regional do Netflix no Japão. Twitch foi embora em 2023, Hulu nunca chegou ao Brasil e o Prime Video segue ausente. A debandada do Funimation, portanto, reduz em 25 % o já magro cardápio de streaming disponível globalmente no portátil de mesa.

Para a comunidade otaku, a perda também esvazia um diferencial: o app da Funimation permitia downloads locais, algo que nem a versão de Netflix com Dungeon Meshi na mira oferece no console. Sem o recurso, maratonar em modo avião — no ônibus ou no avião — vira missão impossível.

Pressão recai sobre o Switch 2 e sobre a própria Crunchyroll

A Nintendo já prometeu apresentar “o próximo sistema de jogos” até março de 2025. O barulho causado pelo fim do Funimation antecipa uma cobrança: será que o sucessor chegará com um plano robusto de apps ou continuará dependente da boa vontade de terceiros? No ecossistema rival, PS5 e Xbox Series X|S acumulam mais de 15 serviços de vídeo oficiais, do Disney+ ao HBO Max. A comparação vira munição para jogadores que usam o console como central da sala.

Do lado da Crunchyroll, que absorveu o catálogo da Funimation em 2022, a remoção cria uma armadilha de expectativa. O app já existe no Switch, mas sem recursos que os fãs perderão — modo offline, áudio em alta fidelidade e compra avulsa de filmes. Se a empresa não entregar ao menos parte desse pacote, corre o risco de parecer responsável por um downgrade funcional, justo quando aposta alto em franquias como Dragon Ball Super — em retorno calculado pela Shueisha.

A decisão que derruba o Funimation, portanto, vai além de um logo que some da tela inicial. Ela força a Nintendo a encarar 2024 sem o anime que ajudava a vender assinaturas e reforça a tese de que seu console híbrido continua jogando numa liga diferente — ótima nos games, mas vacilante quando o assunto é streaming. Fica a pergunta: no próximo hardware, a empresa vai insistir no isolamento ou, finalmente, abrir espaço para quem move a cultura pop fora dos controles?

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