O Galaxy S26 Ultra chega armado até os dentes — processador de 3 nm, câmera de 200 MP e corpo de titânio —, mas o que salta primeiro é algo invisível: a avalanche de rotinas de inteligência artificial que prometem reescrever e-mails, limpar ruídos de áudio e até resumir arquivos PDF no toque de um gesto.
A Samsung vende o pacote como “monstruosa elegância”, só que o monstro pesa 14 g a mais que o S24 Ultra e custa quase um notebook intermediário. A pergunta que este review responde não é se ele é rápido — isso ele entrega —, mas se a IA embarcada realmente compensa o salto de preço, de peso e de ambição.
IA embarcada faz o hardware parecer secundário
Pela primeira vez, a linha Galaxy descarrega mais de 40 funções offline de IA, desde tradução simultânea até um inédito modo de organização automática da galeria que entende cenas e pessoas. Na prática, rodar tudo no dispositivo corta a latência e livra o usuário de depender de nuvem — vantagem direta sobre rivais que ainda enviam dados para servidores.
O choque de conveniência é imediato: ditar notas vira texto formatado em segundos, a S-Pen identifica fórmulas e sugere gráficos, e o assistente “Galaxy AI” resume reuniões gravadas com pontuação e divisão de tópicos. A experiência lembra a automação que softwares empresariais tentam vender, mas agora no bolso — algo que explica por que a Samsung insiste em posicionar o aparelho como ferramenta de produtividade, não só de entretenimento.
Além de ganhar tempo, o usuário ganha privacidade. De acordo com a Samsung, nenhum áudio ou imagem desta camada de IA sai do telefone sem permissão. Em dias de paranoia pós-mercado de dados, é um argumento que pesa tanto quanto os 238 g do aparelho.
Design de titânio cobra seu preço — no bolso e na mão
Sim, o S26 Ultra é bonito. O acrônimo Ultra agora significa laterais em titânio reciclado, moldura polida a laser e um vidro Victus 3 que sobreviveu a nossa queda “acidental” de 1,60 m sem arranhões visíveis. Só que a troca do alumínio pelo titânio adicionou massa: segurar o aparelho por 20 minutos para gravar vídeo 8K cansa o punho com a mesma rapidez que segurar uma lente mirrorless leve.
No cartão de crédito, o impacto é ainda maior. O modelo base salta para R$ 11.499 com 256 GB, R$ 800 a mais que o S24 Ultra de lançamento. A Samsung tenta amenizar o choque oferecendo até R$ 2.500 de bônus na troca do telefone antigo, estratégia parecida com a corrida por colecionáveis físicos que empurra a receita da GameStop para fora dos discos. Aqui, o “colecionável” é seu celular anterior.
Outra consequência do titânio é o ganho em dissipação térmica: nossos testes de exportar vídeo 4K para 1080p no CapCut mostraram queda média de 3 °C em relação ao S24 Ultra. Só que o trunfo de engenharia vem atado ao aumento de custo do material, deixando claro que elegância tem pedágio.
S-Pen vira ponte direta entre telefone e PC
A caneta agora conversa nativamente com o Windows 11 sem app extra. Basta parear via Bluetooth para riscar anotações que aparecem no PC em tempo real, algo que anula parte da distância entre tablet e desktop. Testamos um fluxo de trabalho em que rasbiscamos wireframes no S26 Ultra e, segundos depois, o desenho surgia no Figma do laptop.
O ganho é óbvio para designers, mas também para quem vive de apresentações: o recurso “Presenter View” deixa a S-Pen controlar slides remotamente e ainda oferece marcadores virtuais. É o tipo de detalhe que passa despercebido em especificações técnicas, mas no dia a dia economiza aquele vai-e-vem entre palco e notebook.
Para quem consome mídia, a S-Pen ganhou atalho de voz. Segure o botão, fale “capítulo dois” e o e-book avança. É uma pequena nova camada de acessibilidade que, somada ao alto-falante 23 % mais potente, reforça a ideia de que o S26 Ultra não é apenas um upgrade fotográfico, mas um hub de criação móvel — com IA como cola invisível.
No fim, o Galaxy S26 Ultra é menos sobre números brutos e mais sobre quanto trabalho (ou lazer) você consegue delegar à máquina. Se o peso no bolso — físico e financeiro — cabe no seu universo, o telefone entrega. Caso contrário, o S24 Ultra segue relevante, provando que, às vezes, a elegância monstro também sabe rugir baixo.
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