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Goku de despedida: Bandai Namco encerra ciclo de 8 anos de Xenoverse 2 com o último design aprovado por Akira Toriyama

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Sem aviso prévio de grande evento, a Bandai Namco lançou nesta quinta-feira (14) o pacote derradeiro de Dragon Ball Xenoverse 2 — e cravou nele um presente histórico: o “Goku Epílogo”, visual que Akira Toriyama desenhou apenas no último capítulo do mangá, nunca antes jogável em consoles. É a forma escolhida para dizer adeus ao game que sustentou a franquia nos videogames por quase uma década.

O timing não é casual: o estúdio confirma que, depois desse DLC, o suporte a Xenoverse 2 — lançado em 2016 e com 10 milhões de cópias vendidas — se limita a ajustes de balanceamento. Na prática, o personagem simboliza o fim de um turno e o início de outro, capitaneado por Sparking! Zero, sucessor espiritual de Budokai Tenkaichi previsto para o fim do ano.

Último DLC fecha arco de oito anos e passa bastão para Sparking! Zero

Batizado de “Timeline’s End”, o pacote adiciona Goku Epílogo, Majuub, duas missões paralelas e um lobby tematizado na 28ª edição do Torneio de Artes Marciais. Segundo a produtora, é o conteúdo final “de grande porte” antes que a infraestrutura online seja gradualmente migrada para o próximo título da série.

Internamente, a empresa tratava Xenoverse 2 como um “MMO light” e media vida útil pelo engajamento em raids semanais. Com servidores estabilizados abaixo de 15 mil jogadores simultâneos — pico que já chegou a 63 mil na estreia de Jiren Full Power —, a matemática mudou. A saída foi acelerar a transferência de equipe para Sparking! Zero, jogo que adota motor Unreal 5 e mira cross-play total, algo impossível no código base de 2016.

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O adeus não é meramente operacional. Ele encerra também uma lógica comercial inaugurada ainda na geração PS3/360: monetizar expansões de enredo paralelas. Para a diretoria japonesa, o ciclo de Xenoverse comprovou que a estratégia exauriu-se; o próximo passo volta a focar combates de arena em tempo real, gênero que o próprio Toriyama ajudou a eternizar.

Por que o “Goku Epílogo” é mais que uma skin nostálgica

À primeira vista o traje laranja, faixa azul e o kanji de Son Goku parecem apenas variações que o herói já usou. O detalhe raro é o corte de cabelo: fios levemente mais curtos e separados ao meio, como no storyboard final de 1995. Toriyama desenhou essa versão só uma vez, quando o protagonista se despede de seus amigos para treinar Uub, a reencarnação de Majin Boo.

Colocar essa estética em um game fecha um círculo simbólico: o autor japonês não forneceu novos designs de Goku desde então. Ao mesmo tempo, o movimento casa com a fase atual em que a Toei prepara Dragon Ball Daima — série animada em que Goku volta a ter corpo infantil — e acena a uma nostalgia calculada, descrita internamente como “marca premium” da IP.

Nos bastidores, artistas da Dimps relataram que o dossiê de referência para modelar o Goku Epílogo continha apenas quatro esboços originais do mangá e instruções específicas sobre o desgaste do dōgi: “nítido, mas sem rasgos”, para indicar que se passaram dez anos de paz relativa. É um micro-detalhe imperceptível no anime e que os fãs só identificam ao pausar o jogo em 4K.

A despedida também reforça a recente troca de afeto entre editora e fandom. Há dois meses, a discussão “Quem vence Zeno?” fervia nas redes sociais e reacendeu o interesse por níveis de poder avançados da série. Agora, com um Goku oficialmente “pós-história” jogável, o enredo se reaproxima do material canônico e dribla o desgaste de power-ups inventados só para vender DLC.

Ao encerrar Xenoverse 2 com o último traço original de Toriyama, a Bandai Namco faz mais que limpar a agenda para o novo jogo. Ela testa quão disposto o público está a pagar novamente pela memória afetiva mais pura de Dragon Ball — e, pelo visto, esse Super Saiyajin ainda tem combustível para outra década.

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