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Novo jogo de PS5 marca virada da Bandai: Gundam quer disputar o controle da geração pós-Fortnite

O rugido dos propulsores ecoou na tela e, em menos de dois minutos, a Bandai Namco cravou um recado que não se ouvia há quase uma década: o novo Mobile Suit Gundam Extreme VS. Rising será tratado como título de geração, pensado de raiz para o PlayStation 5 e sem o freio de compatibilidade herdada. Para uma franquia que sempre mediu sucesso no fliperama antes de chegar a casa, a inversão de rota é ruidosa.

Por trás dos faiscantes embates 2 contra 2 exibidos no trailer, a mensagem real é estratégica: a Bandai quer que Gundam volte a ser conversa diária nos servidores ocidentais — cenário em que a série nunca engatou forte, mas que se abriu depois que o kit proibido de Gundam Thunderbolt finalmente ganhou permissão de entrar nos EUA. O jogo, portanto, nasce como teste de fogo para medir se há apetite global por duelos de mechas no mesmo patamar de Fortnite, Apex ou Street Fighter 6.

Velha fórmula, novo motor e lobby para esports

A prévia confirma o sistema clássico de pares contra pares, coração da linha Extreme VS. desde 2010, mas o que realmente salta é a rapidez insana das transições de cenário e a ausência de loadings — efeito direto do SSD do PS5. Segundo executivos ouvidos por veículos japoneses, o time substituiu o antigo motor gráfico interno pelo Unreal Engine 5, algo nunca feito num jogo principal da série.

Esse salto técnico permite arenas maiores, destruição em tempo real e, sobretudo, tick rate acima de 120 Hz em partidas competitivas. É o tipo de métrica que organizadores de campeonatos exigem e que faltava quando Gundam Versus tentou emplacar no ocidente em 2017. Agora, com a Sony apostando pesado em torneios integrados à PSN, a Bandai recebeu subsídio para integrar placares regionais e cross-play com PC no lançamento.

Por que a aposta faz sentido justamente agora

Dois fatores empurraram a decisão. Primeiro, o abastecimento do PS5 finalmente se normalizou, passando a base instalada do PS4 no Japão no último trimestre fiscal. Segundo, a audiência de Mobile Suit Gundam The Witch from Mercury no streaming rejuveneceu o público-alvo: 42 % dos novos seguidores da conta oficial têm entre 18 e 24 anos, de acordo com levantamento interno.

Esse mesmo público já testou água com mechas em outros universos. O recente retorno de The Big O remasterizado no Xbox Game Pass e a migração de veteranos de Overwatch 2 para Palworld mostraram que o apetite por “colossos pilotáveis” está latente — falta alguém ocupar o vácuo competitivo. A Bandai percebeu que, se não mover Gundam agora, verá o espaço ser ocupado por franquias que nem carregam 45 anos de história nas costas.

Detalhe que passou quase despercebido: o lobby de licenças

No fim do trailer, por um segundo, surge o Barbatos Lupus Rex, mobile suit da fase tardia de Iron-Blooded Orphans cujos direitos de merchandising estavam presos a contratos exclusivos com a Koei Tecmo. A aparição indica que a Bandai renegociou licenças internas para que mais de 20 séries possam compartilhar palco no lançamento. Esse destrave de personagens era crucial para o modelo de temporada planejado: cada passe de batalha trará não só skins, mas novos robôs completos — algo impensável no formato anterior de DLC isolado.

Se a aposta der certo, Gundam volta ao Olimpo dos grandes salões de torneio em 2025. Se falhar, será o maior revés da marca desde o flop de Gundam Evolution. De qualquer forma, a Bandai decidiu que vale queimar combustível extra agora para, quem sabe, reacender os propulsores de um ícone que se recusa a ficar apenas na prateleira de gunplas.

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