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Bandai recua da escassez: Gunpla exclusivo de The Witch From Mercury volta às prateleiras dos EUA

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Em pleno feriado de Memorial Day, a Bandai Namco listou de novo — e sem alarde — o High Grade 1/144 Gundam Lfrith Pre-Production, kit que desde 2022 só podia ser comprado no Japão ou a preço de leilão. Em menos de duas horas, o estoque norte-americano evaporou, mas o simples fato de ele ter reaparecido já quebrou um jejum de dois anos e expôs um ajuste silencioso na política de distribuição da marca.

Ao contrário dos lançamentos Premium Bandai, a remessa veio pela linha regular da Bluefin, braço oficial da fabricante nos Estados Unidos. Entre analistas do hobby, a manobra é tratada como balão de ensaio para uma ofensiva maior: transformar a base de fãs de Gundam: The Witch From Mercury na porta de entrada para novos modelistas, enquanto a empresa se prepara para abrir sua primeira Gundam Base física fora da Ásia.

Reedição sinaliza virada de estratégia após gargalo de plástico

Desde a pandemia, a Bandai priorizava o mercado interno e abastecia o Ocidente só com kits mais antigos ou linhas de entrada. Isso alimentou o mercado cinza e fez o Lfrith Pré-Produção — primeiro Gunpla a trazer a logomarca da série antes mesmo da estreia do anime — virar relíquia instantânea. O retorno, portanto, não é mero restock: ele indica que a crise de fornecimento de poliestireno está sob controle e que a companhia quer reconquistar a narrativa antes dominada por revendedores.

O timing também não é aleatório. O anime encerrou seu segundo cour exibindo variações do Lfrith que a Bandai não consegue lançar em ritmo de tela, e a concorrência por licença japonesa esquentou depois que a Disney+ escalou Hello Kitty para a linha de frente do streaming global. Trazer de volta um kit esgotado aproxima antigos colecionadores e serve de vitrine para novos moldes que já estão em pré-produção, segundo distribuidores norte-americanos.

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Fila de espera expõe crise de confiança no varejo geek

Mesmo com fila virtual, o estoque relâmpago acabou antes de muitos fãs confirmarem a compra. A repetição do fantasma da escassez mostra que o problema não se limita à capacidade fabril — passa pela transparência. Lojas parceiras reclamam que recebem datas diferentes a cada semana, enquanto clientes veem preços dobrar no eBay minutos após o “sold out”.

Quem lucra com o mercado cinza

  • Revendedores cobram até 220 dólares pelo kit, quatro vezes o valor oficial de 55 dólares.
  • A própria Bandai monitorou mais de 6 mil anúncios do Lfrith nos últimos 18 meses, segundo representantes na Anime Expo.
  • Aplicativos de leilão já criam alertas automáticos para o modelo, tamanha a demanda reprimida.

Essa dinâmica não é exclusiva de Gundam. O relançamento de power-ups clássicos em outras franquias, como o retorno da fusão de Piccolo apontado em Dragon Ball, revela um padrão: as gigantes japonesas redescobriram o poder do colecionismo nostálgico para reaquecer linhas de produto e conter a perda de terreno para Lego, Funko e afins.

Para o consumidor, o recado é misto. A boa notícia: kits exclusivos podem voltar com mais frequência e preço justo. O alerta: a janela continua curta e quem piscar fica refém de leilão. Se a Bandai transformar o teste do Lfrith em rotina, o hobby ganha fôlego — e o mercado cinza, finalmente, perde umas peças.

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