O cliffhanger que reviveu a esperança de ver Hal Jordan inteiro novamente pode ter sido, na prática, uma despedida. Chris Mundy, showrunner de “Lanterns”, afirmou que a segunda temporada deve apresentar um “parceiro inédito” para John Stewart — ou seja, o Lanterna Verde clássico pode não sair do holograma.
A mudança não é mero capricho de roteiro: substituindo Hal, a série atende ao pedido da nova cúpula da DC de acelerar conexões com outros projetos do estúdio e de dar ao herói de 2006 um final definitivo. O alerta ressoa forte porque “Lanterns” já virou bússola criativa interna e reordenou a fila de 21 títulos do futuro DCU.
Hal Jordan não é garantia na renovação
No último episódio, o Halogram — versão digital do piloto morto na cronologia de 2006 — chama John de “Junior” pela primeira vez, lacrando a jornada emocional do protagonista. Mundy explicou que o termo marcará “o encerramento de um luto” e não um convite para retorno. O próprio apelido já havia sido apontado como peça-chave da virada do DCU, e agora ganha caráter de ponto-final.
Embora o vilão Sinestro tenha sugerido um método macabro de ressuscitar Hal — tema que incendiou debates nas redes —, o showrunner avaliou que ressuscitar o veterano “diluiria a vitória íntima” de John. Assim, a produção trabalha com duas salas de roteiro: uma considerando Hal de volta apenas em flashbacks e outra sem qualquer aparição física, preparando terreno para a volta de Hal num longa ou até em “Lanterns” ano três, se necessário.
Gunn quer dinâmica inédita de parceiros
Com o tabuleiro limpo, a vaga ao lado de John Stewart abriu disputa interna. Três nomes circulam: a mexicana Jessica Cruz, que ampliaria representatividade; Guy Gardner, cuja personalidade explosiva casaria com a proposta R-rated que James Gunn ensaia; e a aposta ousada em Kyle Rayner, artista que traria o mundo da arte para a série investigativa.
Fontes ligadas ao estúdio relatam que Gunn prefere Cruz ou Gardner porque cada um acrescenta tensão específica: no caso de Jessica, a ansiedade crônica; em Guy, o temperamento quase vilanesco. Seja quem for o escolhido, a segunda temporada deve abandonar o tom de mentor e pupilo — impraticável sem Hal — e adotar o modelo de “parceiros à força”, conceito que o roteirista usou em “Super” e em “Guardiões da Galáxia”.
Quem ganha e quem perde com o revezamento do anel
A saída de Hal não impacta só o roteiro. No licenciamento, o piloto da Era Geoff Johns vende seis vezes mais action figures do que Stewart; trocar a face da marca implica renegociação com a Mattel. Já narrativamente, o movimento aproxima “Lanterns” da zona cinzenta vista em recentes leaks sobre um John possivelmente corrompido. Com um parceiro menos ortodoxo, o escritor pode escalar a série para temas como saúde mental ou radicalização — terreno fértil para o spin-off “Dark Lantern” ventilado nos bastidores.
No curto prazo, os fãs órfãos de Hal ganham promessa: se Sinestro achar o “preço” certo, o herói pode voltar irreconhecível, como já alertado no debate sobre seu retorno. Até lá, “Lanterns” se posiciona como laboratório onde James Gunn testa a coragem do público para versões menos puristas dos ícones de Oa — e, a julgar pela resposta à finale, o anel verde parece seguro nas mãos de qualquer sucessor que mantenha a chama da irreverência acesa.

