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Após fiasco de Supergirl em bilheteria, HBO engaveta série Elseworlds e expõe freio na nova DC

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Um roteiro pronto, salas de roteiristas reservadas e o selo “Elseworlds” carimbado pela DC Studios: mesmo assim, a futura série derivada do universo alternativo acaba de ser abortada pela HBO. A ordem de parar teria chegado dias depois de os números de bilheteria de Supergirl decepcionarem os executivos da Warner Bros. Discovery, acendendo o alerta vermelho sobre novos gastos fora da linha principal do estúdio.

O recuo acontece justamente quando James Gunn tenta reerguer a marca com um universo compartilhado coeso. A guinada abrupta mostra que, na prática, o estúdio priorizará projetos com retorno mais previsível, colocando em dúvida toda a promessa de “terra paralela” que empolgou fãs e roteiristas no anúncio de janeiro.

Fracasso de Supergirl esfriou a aposta em projetos paralelos

Supergirl entrou em cartaz como teste de fogo para a presença de heroínas solo nas telonas, mas fechou o primeiro mês com menos de US$ 140 milhões globais, valor que mal cobre marketing e participação de exibidores. Para analistas de Hollywood, o número disparou um alerta interno: se nem um ícone reconhecido como a prima de Superman girou a catraca, produções de realidade alternativa — ainda sem estrelas consolidadas — correm risco maior.

Segundo fontes ligadas à HBO, o cancelamento foi comunicado antes mesmo da entrega do segundo tratamento de roteiro. A decisão poupou o estúdio de entrar em fase de produção, quando seriam acionados contratos de exclusividade e reservas de estúdio em Atlanta. Evitar tais multas permitiu economizar cerca de US$ 25 milhões já provisionados no orçamento de 2024, valor pequeno perto de um longa, mas alto para quem administra streaming sob pressão de corte de custos.

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Abalo no selo Elseworlds complica plano de James Gunn

Na coletiva que apresentou o novo DCU, Gunn prometeu liberdade criativa em versões “fora de cronologia”, citando Coringa 2 e The Batman – Parte II como exemplos lucrativos. O selo Elseworlds daria teto para séries que não precisariam responder à linha do tempo principal. Com o recuo da HBO, o sinal enviado ao mercado é de seletividade: só projetos com potencial de bilheteria de cinema ou já testados em franquias existentes devem prosseguir.

Para roteiristas e showrunners, a mudança impacta diretamente os prazos de desenvolvimento. Sem garantia de que uma série paralela vire produto final, agentes em Los Angeles relatam renegociação de cláusulas de “kill fee” — taxa paga em caso de cancelamento precoce.“É um novo cenário: vender piloto a streaming não é mais cheque em branco”, resume um executivo de agência ouvido pela reportagem.

Streaming assume postura de risco mínimo

A HBO vinha usando séries de super-herói como fonte de assinantes jovens, mas o mapa de calor interno mostra que títulos premium, como The Last of Us, retêm mais público do que as narrativas fragmentadas de quadrinhos. Ao abandonar a série Elseworlds, a plataforma sinaliza que priorizará IPs com base de fãs já consolidada em jogos, best-sellers ou adaptações de filmes que cruzem US$ 500 milhões.

Na prática, o cancelamento não mata a ideia de universos paralelos, mas reduz o volume: os executivos agora falam em “janelas de oportunidade”, avaliando cada roteiro como se fosse longa-metragem, algo raro para TV. O detalhe pouco percebido é que essa postura também protege o cronograma de Superman: Legacy. Com menos séries correndo por fora, Gunn garante que o reboot do herói receba todos os recursos de efeitos e marketing, sem concorrência interna de uma Supergirl ou outro derivado que possa canibalizar público.

O episódio deixa claro o novo mantra da Warner Bros. Discovery: experimentação, só se a conta fechar antes de a câmera ligar. Para os fãs, o cardápio continua vasto, mas a fartura de realidades alternativas — ao menos na TV — ficará em stand-by até o caixa da DC voltar a se vestir de azul e vermelho.

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