A primeira lâmina surpreendeu; a segunda muda as regras. No capítulo 1189 de One Piece, que chega neste domingo (26), Imu evolui de enigma político a ameaça física quando libera a forma completa da Void Blade e expulsa Luffy do centro da batalha em Elbaf. O golpe não só perfura o protagonista como desintegra, num raio de centenas de metros, o solo que os gigantes cultuam como sagrado.
Ao escancarar o potencial destrutivo de quem ocupava até então um trono “invisível”, Eiichiro Oda força leitores, personagens e até teorias veteranas a recalcular a rota da saga final. Pela primeira vez em 27 anos, o pirata que sonha ser rei se vê fora do ringue e o poder mais amplo do século perdido deixa de ser rumor para virar consequência palpável.
Ataque de Imu rasga o tabuleiro de Elbaf
O disparo de energia da Void Blade atravessa não só Luffy, mas o tronco da Yggdrasil de Elbaf – árvore que, segundo a mitologia local, sustenta o céu. Isso cria uma falha visível no cânone: se a árvore cair, o “pilar do mundo” previsto em lendas antigas desaba e, com ele, a própria rota de ascensão dos chapéus de palha. Oda amarra o ato ao folclore da ilha para impedir que a cena vire mais um power-up gratuito; o golpe ressoa culturalmente entre os gigantes e desencadeia a primeira cisão declarada entre Dorry, Brogy e seus superiores militares.
Testemunhas descrevem o corte como negro na borda e translúcido no miolo, sugerindo ligação direta com as teorias de lâminas negras permanentes – tema que já atiçou fãs quando Oda insinuou um upgrade para Zoro. A diferença é que, aqui, o metal parece beber da própria escuridão do espaço vazio, algo que remete a tecnologias do Século Perdido mais do que ao simples Haki. Se confirmado, Imu passará a deter não apenas o título de soberano oculto, mas também o primeiro armamento híbrido de mistério histórico e força bruta.
Hierarquia de poder vira fumaça: o que Oda ainda esconde
A entrada de Imu no campo de batalha reverbera em três frentes. A primeira é política: o Governo Mundial perde a comodidade de operar nas sombras. Figuras como Sakazuki e os Gorosei, antes escudo institucional, tornam-se coadjuvantes de luxo. A segunda é militar: se a Void Blade for de fato um artefato pré-Grande Guerra, ela rivaliza com as armas ancestrais que Nico Robin persegue desde Alabasta. A terceira, e menos óbvia, é narrativa: Oda acelera a convergência dos grandes mistérios – Século Perdido, Joy Boy e One Piece físico – para um mesmo palco, economizando arcos de exposição.
Nesse cenário, a derrota momentânea de Luffy tende a operar como gatilho de evolução conjunta do bando: Zoro precisa provar que a própria teoria da “primeira lâmina negra” não é monopólio do vilão; Nami e Franky devem explorar tecnologia antiga recuperada em Egghead para neutralizar a Void Blade; e Usopp, filho do gigante Yassop, agora tem responsabilidade direta no conflito étnico de Elbaf. Cada subtrama converge para o que os editores da Jump classificam internamente como “bloco de encerramento”, etapa em que nenhum personagem secundário entra em cena sem função estratégica.
Ao colocar Imu no centro da destruição, o capítulo 1189 deixa de ser apenas uma virada de combate: ele marca a hora em que o alvo passa a revidar. Para o leitor, isso significa tensão reconfigurada – todo encontro futuro carrega risco real de morte, inclusive para Luffy. Para Oda, é a chance de provar que a promessa de “pirata mais livre do mundo” nunca foi sobre invencibilidade, mas sobre resistir ao golpe que chega quando o céu, literalmente, racha ao meio.
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