Josh Brolin quebrou o protocolo ao declarar que não se anima mais a vestir a armadura de Cable, mas toparia retornar como Thanos “se fizer sentido”. A preferência é sintomática: o estúdio deu sinal verde para reciclar a força mítica do Titã, enquanto o mutante de Deadpool ficou sem vaga clara na prateleira da Fase 6.
A fala do ator, obtida em uma entrevista fechada para divulgação de um drama independente, repercutiu instantaneamente dentro da Disney. Executivos veem na abertura de Brolin a chance de reativar a era do estalo num momento em que Avengers: Doomsday reorganiza a hierarquia de poder e traz de volta sete nomes pré-MCU.
Preferência por Thanos escancara o plano de nostalgia da Marvel
Desde 2019, o estúdio busca um vilão com o mesmo peso cultural de Thanos; Kang não decolou e a greve de atores atrasou o cronograma. Ao flertar com o retorno do Titã, Brolin coloca na mesa um antagonista testado, amado pelo público e já ancorado em tecnologia de captura facial que pode ser atualizada sem abrir nova linha de investimento.
A ideia conversa com a estratégia de recorrer a figuras veteranas. Os pôsteres recentes de Avengers: Doomsday que unem atores de antes do MCU mostram que Kevin Feige aposta no poder do déjà-vu para consolidar 2027 como “ano-ponte”. Outro indício é o convite para Robert Downey Jr. usar uma dublagem japonesa e, assim, ceder o bastão de Tony Stark a Doom em Avengers: Doomsday.
Cable fica órfão e pressiona Deadpool 3
Cable nasceu no universo Fox de mutantes e migrou apenas uma vez para o MCU, em Deadpool 2. Agora, com a fusão concluída, o personagem parece emperrado nos trâmites criativos que envolvem viagens no tempo, linha do tempo quebrada e crescentes participações dos X-Men. Brolin, ao recusar voltar, reforça a percepção interna de que o supersoldado não tem espaço a curto prazo.
Deadpool 3, previsto para 2024, tenta equilibrar humor, multiverso e aparições de heróis legados, mas Cable caiu na fila de cortes quando as gravações foram reescritas durante a greve. A ausência do ator complica ainda mais a narrativa, já que o filme precisa explicar se vai manter a cronologia da Fox ou alinhá-la ao cânone principal.
Porta aberta para Doomsday e a onda nostálgica de 2027
Executivos analisam formatos possíveis para trazer Thanos sem invalidar sua morte em Endgame. Uma solução discutida nos corredores é usar fragmentos de realidades alternativas, prenunciados pelos multiversos vistos em Loki e Doctor Strange. Outra, mais ousada, seria empregar o Visão vilanesco de VisionQuest como catalisador para resgatar o Titã por meio da Joia da Mente corrompida.
Enquanto isso, Namor ganha novo traje em Doomsday e a Marvel testa se consegue misturar nostalgia e upgrade de poder no mesmo coquetel. Brolin ofereceu a peça que faltava: a volta de Thanos eliminaria o ruído de um vilão frágil e entregaria ao público o conforto da ameaça conhecida, algo que Cable, por ora, não consegue dar. O movimento explica por que, nesta fase de incertezas, o estúdio prefere o Titã ao mutante viajante do tempo.
Se decidir apertar o botão de retorno, a Marvel já sabe com quem contar — e o público também. Agora é a franquia que precisa provar que, depois do estalo, ainda existe universo para Thanos destruir de novo.

