O KFC de Hong Kong abriu o turno do jantar com um zinger roxo digno de abrir o modo de batalha do EVA-01. O sanduíche celebra os 30 anos de Neon Genesis Evangelion, mas, na prática, expõe até onde as redes de fast food estão dispostas a ir para converter otakus em clientes fiéis.
A cor intensa do pão — tingido com batata-doce roxa — vira vitrine ambulante nas redes sociais e, ao mesmo tempo, laboratório de mercado: se vender além do previsto, abre caminho para que a marca replique o modelo em outros países. É a mesma lógica que fez a Sanrio testar no Apple Arcade o impactante Hello Kitty Island Adventure antes de inundar lojas físicas com 300 itens, como mostramos na análise sobre a nova passarela de produtos da personagem.
Sanduíche vira “merch” comestível e amplia o ciclo premium de Evangelion
Evangelion já emplacou collabs em perfumes, carros e até fones de ouvido high-end; ainda assim, esta é a primeira vez que a franquia entra em um combo de frango frito de grande circulação. O cardápio limitado inclui balde temático, molho “entry plug” levemente picante e copo colecionável que pisca em neon violeta — detalhe que pouca gente nota na foto oficial, mas que eleva o preço de custo do brinde em quase 40%, segundo fornecedores locais de LEDs.
Para o estúdio Khara, dono da propriedade, alimento perecível oferece vantagem curiosa: diferente de action figures, o sanduíche some do estoque em dias, criando sensação de escassez sem entupir o mercado de quinquilharia. Já o KFC ganha a narrativa de exclusividade que faltava contra o McDonald’s, cuja parceria com Pokémon se esgotou em horas na Ásia.
Por que Hong Kong foi o território-piloto — e não o Japão
A escolha geográfica não foi aleatória. A legislação alimentar de Hong Kong aceita corantes naturais acima do índice permitido no Japão, permitindo que o pão atinja o famoso tom “EVA-01” sem retestar a fórmula. Além disso, a filial local tem autonomia de P&D para adaptar o clássico Zinger sem submeter cada ajuste ao headquarters de Louisville.
Outro fator: o público de Hong Kong já provou disposição para pagar mais em edições limitadas. Em 2023, a rede esgotou um balde dourado de One Piece a US$ 26, preço quase 70% acima do combo regular. Esse apetite colecionista ficou evidente quando o arco Marineford disparou na Netflix, fenômeno que analisamos ao mostrar como One Piece cresce na maratona e não na estreia.
Se vender bem, prepare-se para mordida global (e filas no Brasil)
Executivos asiáticos do KFC avaliam estender o sanduíche a Taiwan e Singapura ainda neste semestre. A oficialização dependerá de três métricas: engajamento de vídeos no TikTok, vendas do copo luminoso e a taxa de recompra dos clientes no aplicativo próprio. Se dois desses indicadores superarem a meta, a fórmula roxa segue viagem — e a filial brasileira, que já testou o frango crocante sabor pimenta-biquinho, monitora os números.
Para o consumidor final, o ponto mais relevante não é apenas provar um hambúrguer exótico, mas entender que colaborações de animes migraram do universo de bonecos para a mesa do jantar. Quando o ninja alemão de G Gundam voltou na linha premium da Bandai, o sinal já estava claro: IPs japonesas querem, acima de tudo, fatia de tíquete médio mais alto. O EVA-01 de frango e batata-doce só confirma que, na guerra dos fãs, quem controla o cardápio controla também o bolso.
Agora resta acompanhar se o roxo radioativo do sanduíche será suficiente para ativar o modo Berserk nas vendas ou se ficará restrito aos storyzinhos de viagem de quem passar por Hong Kong.
Acesse diariamente nossas dicas sobre animes e games para não perder nada. Siga também o RadioGeekBR no Facebook!

