Enquanto os fãs ainda tentavam decifrar o enigma do possível clone de Hal Jordan revelado no capítulo anterior, o Episódio 6 de “Lanterns” jogou outra bomba: uma referência direta aos eventos de “The Suicide Squad” – filme lançado na fase pré-James Gunn. O diálogo sugere que o desastre em Corto Maltese ocorreu “há dois anos”, mesmo tempo em que a trama da série já se passa no novo DCU.
Pode parecer só um easter egg, mas o comentário derruba a promessa de cronologia limpa feita pelo próprio co-CEO da DC Studios. Se a missão liderada por Bloodsport continua válida, como encaixar a chegada de Rick Flag Sr. em “Creature Commandos” ou a versão revista de Amanda Waller, cuja série solo é o único projeto televisivo que realmente avança, segundo executivos da Warner?
Referência que embaralha os relógios do universo compartilhado
No sexto capítulo, John Stewart e Hal Jordan analisam arquivos do governo. Entre elas, aparece um relatório da Task Force X detalhando “o incidente da estrela marinha em Corto Maltese, 2021–2022”. A fala é curta, mas estabelece que a operação de “The Suicide Squad” ocorreu dentro da mesma linha do tempo em que “Lanterns” pretende inaugurar a fase um do DCU.
Até então, James Gunn vinha defendendo um “soft reboot”: manteria atores e ideias que funcionassem, descartando o restante. A estratégia era visível quando a HBO Max acelerou dez animações, como mostramos em “Estratégia de emergência: por que James Gunn acelera 10 séries animadas da DC”. A lógica: iniciar o novo universo sem carregar inconsistências herdadas.
O problema é que a simples menção a Corto Maltese esbarra em dois pontos: 1) o destino de personagens que deveriam receber recast ou reboot, como Harley Quinn, ainda indefinido; 2) a presença de Rick Flag Sr. em “Creature Commandos”, série animada que se passa nos anos 1980, mas cuja importância narrativa foi anunciada justamente para explicar a formação da mesma Força-Tarefa X. Com pai e filho coexistindo no cânone, é a idade do general ou o ano da missão que precisará ser retocado.
Pequeno deslize, grande alerta: a repetição do caos DCEU
Quem acompanha o freio de mão nos cronogramas televisivos sabe que o DCU já enfrenta atrasos. O furinho de “Lanterns” soa menor que a confusão cronológica do antigo DCEU, mas acende a mesma luz amarela: calendários apertados geram scripts paralelos que nem sempre conversam entre si. Em 2016, “Esquadrão Suicida” e “Batman vs Superman” exemplificaram esse ruído. A história se repete, agora dentro do próprio estúdio que prometia arrumação.
A brecha de continuidade não é isolada. O episódio reforça suspeitas sobre Noah Macon ser um Manhunter – pista que, se confirmada, reescreverá eventos cósmicos anteriores e potencialmente afetará a trama de “Superman”, já que Guy Gardner também estará no mesmo quadrante espacial. Cada novo gancho expõe quão fina é a linha entre fan-service e tropeço canônico.
Como Gunn pode estancar o vazamento antes de “Creature Commandos”
Fontes próximas à sala de roteiristas citam duas cartas na manga. A primeira é assumir publicamente o conceito de “realidades divergentes”, ideia ventilada quando fotos de set de “Grodd” sugeriram conexões multiversais com o próximo “Superman”. A segunda – mais simples e menos custosa – é tratar a fala sobre Corto Maltese como erro de datilografia em dossiê do governo. Um retcon discreto em diálogos futuros resolveria sem CGI nem refilmagem.
Seja qual for a saída, o episódio 6 de “Lanterns” deixou claro que o DCU não tem margem para tropeços. A fase de reconstrução ainda nem estreou em salas de cinema e já testa a paciência de quem esperava coesão. Errar cedo pode ser bom: dá tempo de corrigir. Mas, para um estúdio que perdeu terreno na guerra de super-heróis, cada deslize reforça a sensação de déjà-vu – e essa, o público já cansou de perdoar.

