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Lego finalmente cede aos fãs de anime e lança set oficial de Dragon Ball com Goku e Shenron

Quarenta anos depois da estreia de Dragon Ball, o desejo coletivo de ver Goku ganhar blocos oficiais deixou de ser meme de fórum para virar caixa numerada. A Lego revelou seu primeiro set licenciado da série — um diorama de 1.197 peças que coloca o herói de cabelos espetados frente a frente com o dragão Shenron, pronto para conceder pedidos.

O anúncio, antecipado para agosto e previsto nas prateleiras em 1.º de janeiro, não é só mais uma collab pop. Ele marca a entrada tardia — e estratégica — da Lego no terreno dos animes, um espaço que Bandai e Funko exploram há anos. Na prática, a gigante dinamarquesa abre uma nova guerra de licenciamento exatamente quando o público que cresceu com a saga de Akira Toriyama tem bolso para pagar R$ 1 000 em nostalgia bem empilhada.

Lego mira o fã que trocou o VHS pelo cartão Black

Desde 2020 a Lego vem deslocando o foco infantil para uma faixa “18+”, estampada nas embalagens para legitimar o hobby adulto. O set Dragon Ball coroa essa guinada: peças em tonalidade dourada reproduzem as Esferas do Dragão, enquanto a base exibe a inscrição “Dragon Ball 40th” em um tile exclusivo — detalhe que transforma o produto em item comemorativo, não mero brinquedo.

Segundo executivos ouvidos pela imprensa japonesa, o protótipo saiu do forno interno da Lego Ideas ainda em 2022, mas ficou congelado até que a Toei, detentora do anime, visse valor em dividir royalties com um player que, até então, ignorava o gênero. A virada veio quando relatórios mostraram que linhas para adultos respondem hoje por 25% da receita global da marca, porcentagem que deve subir para 30% em 2025.

Nesse contexto, a Lego passa a disputar o mesmo bolso que já banca lançamentos como a caneca limitada de Howl ou o Adidas Forum baseado em Yu-Gi-Oh!. A peça de colecionismo virou credencial de status geek, e a dinamarquesa precisa de IPs quentes para não depender apenas de Star Wars e Marvel, licenças cada vez mais saturadas.

Licenças de anime viram campo de batalha entre Lego, Mattel e Bandai

A demora da Lego em chegar aos animes abriu vácuo que concorrentes preencheram com folga. A Mattel já colocou He-Man para lutar com Godzilla e agora negocia My Hero Academia; a Bandai, dona da linha Gunpla, faz kits de montar de One Piece há duas décadas. Trazer Dragon Ball para os blocos, portanto, não é folclore: é recado de que a Lego quer sentar na mesma mesa dos veteranos japoneses.

O timing explica muito. Em janeiro, a Toei volta a empurrar Goku Black em Dragon Ball Super, e a Shueisha prepara um 2024 recheado de eventos pelo 40.º aniversário da marca, inclusive uma mostra itinerante na Europa. Cada ação de marketing retroalimenta a outra: série no streaming gera hype que vende set, que por sua vez reforça a vitrine da franquia em redes sociais.

O bloco que faltava no quebra-cabeça japonês

  • Preço sugerido: US$ 129 nos EUA; estimativa de R$ 999 no Brasil, sujeito a impostos.
  • Peças especiais: nova peça curva para o rabo de Shenron e três tons de laranja inéditos nas Esferas.
  • Minifigs: Goku em uniforme clássico, além de um micro-Krillin para ambientação.

O detalhe que passou quase despercebido é a escolha da saga original, não de Dragon Ball Z. A Lego entendeu que o apelo nostalgia está no ponto de partida — aquela lembrança de Goku criança na TV Manchete —, não apenas nas lutas explosivas da fase adulta. É a mesma lógica que guiou a Toei quando ressuscitou o design de 1994 para Sailor Moon. No fim, quem ganha é o fã, agora habilitado a empilhar tijolos para convocar o dragão e pedir, quem sabe, mais sets baseados no Torneio de Artes Marciais.

A Lego não disse qual será o próximo anime da fila, mas interlocutores próximos aos licenciadores japoneses citam One Piece e Attack on Titan como negociações em estágio avançado. Se a caixa de Goku voar das prateleiras, a empresa sela de vez sua entrada no arquipélago pop — e a batalha por cada centímetro da estante do colecionador vai ficar digna de Kamehameha.

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