O ninja mais famoso dos mangás finalmente ganhou data para sair do papel: a Lionsgate concluiu a etapa de “script lock” e reservou estúdios em Vancouver para iniciar as filmagens de Naruto no primeiro semestre de 2025. A informação, confirmada por executivos ligados à pré-produção, quebra oito anos de limbo desde que o projeto foi anunciado e sinaliza que o diretor Destin Daniel Cretton, de “Shang-Chi”, enfim tem roteiro aprovado por Masashi Kishimoto.
O movimento pressiona Hollywood a resolver uma equação que ainda dá prejuízo: transformar sucessos de anime em blockbusters confiáveis. Ao fincar a bandeira de Naruto em 2025 – mesma temporada cobiçada por Marvel, Warner e pela crescente leva de adaptações orientais da Netflix – a Lionsgate assume o risco de medir sua bilheteria contra franquias muito mais maduras no cinema.
Roteiro fechado e set reservado: o que mudou na sala de guerra de Cretton
Segundo fontes próximas à produção, a chave que destravou o cronograma foi o acordo final de crédito criativo com Kishimoto. O mangaká vetou versões anteriores que “americanizavam” Konoha e exigiu a manutenção do arco da Chunin Exam como núcleo dramático do primeiro longa. A partir daí, Cretton pôde encaminhar revisões finais ao sindicato e solicitar a reserva dos estúdios Mammoth, no Canadá, onde “Deadpool” e “Godzilla” também passaram.
Além da garantia de locação, a equipe já abriu casting para atores nipo-americanos e divulgou exigência de treinamento prévio em taijutsu, detalhe que foge ao costumeiro “treino de dublês” de Hollywood. A decisão ecoa o alerta do diretor Shinichirō Watanabe, que recentemente defendeu rasgar conceitos prontos para reconstruir universos orientais no cinema, como relatamos em matéria sobre Cowboy Bebop.
A lição de One Piece e o fantasma de Dragonball correm no subsolo da aposta
Mesmo com o cronograma finalmente andando, a Lionsgate sabe que o histórico de adaptações de anime gera ansiedade. “Dragonball Evolution” custou US$ 30 milhões e virou chacota; a série “One Piece”, em contrapartida, foi salva pelo engajamento do autor Eiichiro Oda e pela liberdade criativa da Netflix. Agora, Naruto tenta combinar esses dois mundos: o estúdio sustenta controle orçamentário de blockbuster médio (algo em torno de US$ 120 milhões), enquanto dá ao criador poder de veto em design de personagens e lutas.
Esse modelo híbrido também responde a outra pressão: a pirataria. Em 2023, um esquema de US$ 12,85 milhões em criptomoedas foi rastreado por autoridades ao investigar servidores ilegais que lucravam justamente com episódios de Naruto, como relembrou nossa reportagem sobre pirataria de anime. Quanto mais oficial e fiel for o longa, menor a chance de ver o fandom migrar para cópias cam rip despersonalizadas – argumento que ajudou a arrancar o “sim” do conselho da Lionsgate.
Ainda faltam o elenco principal e a confirmação da distribuição internacional, mas o simples ato de bloquear estúdio e roteiro põe o filme na chamada “fila quente” de 2025. É uma disputa de telhado baixo: cada vaga de lançamento custa marketing milionário e, no caso de Naruto, carrega a expectativa de provar que Hollywood aprendeu, enfim, a falar a língua dos shinobi.

