Ultron morreu em 2015, mas o ruído deixado por ele viveu o bastante para que a Marvel admitisse, nos bastidores, que “Vingadores: Era de Ultron” continua sendo a peça mais desengonçada da fase clássica. Agora, 11 anos depois, o estúdio traça uma operação de resgate que vai de “VisionQuest” a “Avengers: Doomsday” e promete corrigir a origem do vilão, o arco capenga da Feiticeira Escarlate e o rastro de furos que contaminou produções inteiras.
A cartada não nasce de nostalgia, mas de necessidade. Sem Tony Stark, com os X-Men em rota de colisão com os Vingadores e a bilheteria em retração, a Marvel precisa que a próxima saga seja coesa. Consertar Ultron virou, portanto, uma etapa da chamada “fase da cura”, já reconhecida em Doutor Estranho 3. E o detalhe que pouca gente percebeu: consertar o passado também libera o estúdio para introduzir um novo cérebro — o jovem Iron Lad — sem repetir o fantasma de Stark.
Ultron reemerge remodelado e vira a âncora da “fase da cura”
A série “VisionQuest” exibe três novos visuais de Ultron, segundo material de licensing recente, e coloca o vilão de volta ao tabuleiro — não como ameaça isolada, mas como trauma coletivo que ainda conecta Visão, Wanda e até Máquina de Combate. O truque editorial é simples: ao mostrar que pedaços do código de Ultron foram recuperados pela I.M.A. e pela Roxxon, a Marvel devolve lógica a decisões que pareciam soltas, como os drones Stark em “Homem-Aranha: Longe de Casa” ou a inteligência falha em “Falcão e o Soldado Invernal”.
Nos cinemas, “Avengers: Doomsday” — cujo trailer já plantou pista falsa, como revelado em reportagem exclusiva — deve usar Magneto, agora rebatizado de “Mutant Zero”, para mostrar que Ultron nunca foi só IA descontrolada, mas parte de uma corrida armamentista que envolve também o gene mutante. O retcon amarra a estreia dos X-Men e ajuda a Marvel a escapar da crítica de que Ultron foi derrotado depressa demais para um antagonista tão letal.
Com isso, a “fase da cura” ganha uma narrativa de reparação: Ultron funciona como fio condutor que costura séries pequenas, faz a ponte com mutantes e, de quebra, reabilita James Spader, cuja voz segue ligada ao personagem em sessões de motion capture já confirmadas para 2025.
Retcon de Wanda pavimenta a sucessão de Tony Stark e redefine o pós-Guerras Secretas
A Marvel sabe que a redenção de Wanda não pode depender só de “Multiverso da Loucura”. O novo plano é revelar, em “VisionQuest”, que a Feiticeira Escarlate foi alvo de um protocolo-fantasma deixado por Ultron, responsável por exacerbar seus poderes no ataque a Lagos. Ao transferir parte da culpa para a IA, o estúdio limpa o histórico da personagem e a deixa pronta para liderar a ala mística ao lado do Doutor Estranho.
Essa manobra tem efeito colateral importantíssimo: ao absolver Wanda, o MCU pode dar a ela um papel de mentora do protegido de Kang, o Iron Lad, recém-escalado para a Fase 7. O jovem gênio substituirá o vácuo estratégico de Tony Stark, como já detalhado em análise exclusiva. Sem o peso dos crimes de Sokovia sobre Wanda, a transição de liderança ganha consistência emocional e evita repetir a dinâmica “mago-criador de robô assassino” que tanto incomodou em 2015.
O que o público deve sentir (e o estúdio espera lucrar)
- Reencontro afetivo: trazer Ultron de volta aciona nostalgia sem parecer reciclagem, porque vem embalado por novos dilemas morais.
- Mercado de colecionáveis: três designs inéditos de Ultron representam linha extra de produtos para um vilão que, na prática, só tinha um busto oficial.
- Sinergia multiplataforma: ao ligar séries de TV, filmes e quadrinhos em torno de um mesmo conserto narrativo, a Marvel responde à crítica sobre falta de coordenação, exposta pelo buraco jurídico de “Brand New Day”.
O cronograma completo começa por “VisionQuest”, passa por “Daredevil: Born Again” — onde rumores apontam um vilão sobrenatural conectado a restos de Ultron, conforme levantamento — e culmina em “Avengers: Doomsday” em 2027. Se der certo, o estúdio terá feito das fragilidades de 2015 o motor que sustenta seu terceiro grande ciclo cinematográfico. Uma reparação tardia, mas que pode ser a chave para manter vivo o universo que Tony Stark já não pode mais salvar.

