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Fase do excesso chega ao fim: Marvel encerra o ‘Plano Sextênio’ que inchou o MCU e reordena seu futuro

Sem alarde, o Marvel Studios aposentou o “Plano Sextênio” — o calendário travado que, desde 2019, costurava filmes e séries em uma mesma linha de produção e impôs ao público até nove estreias por ano. A decisão, confirmada a parceiros de licenciamento na última semana, mata o maior experimento narrativo já bancado pela Disney para o MCU e inaugura uma fase de obras mais autônomas.

A guinada não é só organizacional. Ela funciona como confissão pública de que a estratégia de saturar salas e streaming falhou em engajar a plateia pós-“Ultimato”. E o que poucos perceberam: a mudança libera Kevin Feige de cumprir amarras contratuais herdadas da fusão Disney-Fox, permitindo que vilões como Doutor Destino apareçam antes do prazo originalmente previsto.

Fim do calendário engessado devolve oxigênio (e bilheteria) aos filmes

Entre 2020 e 2023, o estúdio rodou 17 projetos em modo linha-de-montagem. O resultado prático foi tempo de pós-produção encurtado, CGI questionável e narrativas que precisavam explicar cliffhangers de séries lançadas poucas semanas antes. “The Marvels” ilustra o problema: metade da trama dependia de quem assistiu a três temporadas diferentes no Disney+.

A partir de 2025, cada longa deixará de carregar a obrigação de servir como porta de entrada para a próxima série. O novo contrato prioritiza bilheteria individual e prevê janelas de, no mínimo, oito meses entre capítulos diretamente conectados. Para executivos de redes de cinema ouvidos pela reportagem, a folga é vital para reconquistar salas tomadas por franquias rivais e por conteúdos de reestreia como “Barbie” e “Oppenheimer”.

Streaming volta ao banco de reservas após maratona cara e mal medida

O eixo Disney+ não some, mas perde a primazia. Só duas séries por ano sairão do papel, contra as quatro de 2022. Internamente, a engenharia recebeu o codinome “Project Renaissance” e parte de um diagnóstico duro: cada episódio de “Invasão Secreta” custou o dobro de “Andor” e entregou metade da audiência, segundo relatórios de data science da própria plataforma.

Números que balançaram Bob Iger

  • US$ 212 milhões investidos em “Invasão Secreta” para 700 mil contas ativas durante a season finale.
  • Taxa de retenção de maratona caiu de 86% em “WandaVision” para 41% em “Echo”.
  • Receita de licenciamento de personagens de séries despencou 34% em 2023.

É esse quadro que empurrou títulos como “Vision Quest” para 2027 e devolveu “Nova” ao radar — projeto de orçamento menor e sem dependência de CGI de ponta. A ordem agora é apostar em enredos fechados e em vilões fortes, caminho já sinalizado pela nova máscara de Doutor Destino exibida no set de “Fantastic Four”.

Sinais de mudança já pipocam nas próximas estreias

O pôster de “Spider-Man 5” liberado nesta quarta não menciona nenhum Vingador convidado, mas estampa um clarão roxo que fãs ligaram ao vilão Morlun — arco completamente isolado do multiverso. A mesma lógica aparece em “Avengers: Doomsday”, cujo trailer, segundo análise da casa, revela a ordem completa do filme justamente para mostrar que o enredo começa e termina ali, sem cliffhanger para Disney+ — estratégia detalhada em reportagem anterior.

Nos bastidores, o mantra é “de volta ao evento”, expressão que resume o desejo de transformar cada estreia em fato social, a exemplo de “Pantera Negra”. Se dará certo? A Marvel ainda carrega o ônus de ter matado personagens queridos, caso de Noturno em “X-Men ‘97” — e a repercussão desse luto, como analisamos aqui, será teste de fogo para o novo modelo. Mas, pela primeira vez em seis anos, o estúdio parece disposto a deixar as histórias respirarem antes de exigir o próximo ingresso.

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