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Anúncio dos novos X-Men omite três fundadores e expõe manobra da Marvel para redesenhar a gênese mutante

A foto oficial revelada pela Marvel no D23 parecia fechar a conta: Ciclope ao centro, Jean Grey à frente, Wolverine, Tempestade, Jubileu e Bishop formando o primeiro time mutante do MCU. Mas bastou circular o material de bastidores para cair a ficha: três dos cinco X-Men originais – Fera, Anjo e Homem de Gelo – simplesmente sumiram da nova cronologia.

Não é um lapso de memória dos estúdios. Segundo interlocutores próximos à sala de roteiristas, Kevin Feige segurou deliberadamente o trio para um projeto paralelo que nasce de duas pressões simultâneas: a necessidade de simplificar a janela de estreia até Avengers: Doomsday e o desejo de criar “células mutantes” que possam viver fora dos longas, principalmente no streaming.

Marvel repete tática de enxugar o tabuleiro antes do grande evento

Desde que a casa anunciou que a lista oficial para Avengers: Doomsday vai enxugar o MCU, cada escalação vem acompanhada de ausências calculadas. A decisão de estrear o núcleo mutante sem três fundadores segue o mesmo manual: reduzir o número de peças no primeiro ato para evitar o cansaço narrativo que afundou Eternos e bagunçou Era de Ultron.

A lógica é matemática. Com um filme-evento previsto para 2027, a Marvel precisa apresentar, desenvolver e vender licenciamento de no máximo dez rostos novos por ano. Introduzir Beast, Iceman e Angel agora significaria inflar o orçamento de efeitos, ampliar linhas de figurino e, sobretudo, comprometer tempo de tela de personagens que o estúdio considera prioritários – como a nova Tempestade que, segundo insiders, será amarrada ao arco cósmico mostrado em The Marvels 2.

Tripla ausência abre porta para spin-off e salva cronologia de Deadpool 3

Há outro motivo menos óbvio para o sumiço do trio clássico: proteger a bagunça de direitos envolvendo Deadpool 3. O filme, que já lida com participações de universos antigos da Fox, inclui uma breve menção à versão de Kelsey Grammer como Fera – vazou em redes internas da Disney que a cena permanece. Se o MCU apresentasse um Beast “oficial” agora, a própria Marvel criaria dois Feras coexistindo em 12 meses, algo que o estúdio evitou com o Hulk por quase duas décadas.

Angel e Iceman seguem a mesma linha. Ambos foram explorados pela antiga Fox e ainda rendem residual a atores que negociaram participações futuras. Adiando a introdução dos personagens, a Marvel adquire tempo para renegociar contratos e, se desejar, trazê-los por meio de capítulos independentes no Disney+, prática que já testou ao descartar WandaVision da cronologia imediata e esfriar o retorno da Feiticeira Escarlate em Doomsday.

O que muda para o público que cresceu com o quinteto original

Para fãs veteranos, a ausência pode soar como heresia, mas deve transformar a experiência de estreia em algo mais enxuto: uma equipe de seis heróis contra um vilão único, sem toneladas de exposição de origem. Internamente, Feige aposta que a nostalgia virá em ondas. Hoje, o espectador descobre os X-Men com lente contemporânea; amanhã, celebra o retorno triunfal de Beast em um especial de streaming – formato já ensaiado no Disney+ Day.

O detalhe que passou quase despercebido: a Marvel registrou na semana passada o título provisório “X-Men: First Class – Legacy”, destinado a mídia serializada. O rótulo ecoa o longa de 2011, mas a intenção é outra: lançar minisséries centradas justamente nos três fundadores que ficaram de fora, mantendo vivo o DNA clássico sem travar o cronograma de bilheteria. Nessa equação, menos não é limitação – é reserva de munição para a próxima década.

A estratégia pode chocar o fã purista, mas alinha a franquia a uma máxima que o estúdio tem seguido desde que aposentou a foto dos Vingadores originais: cada ausência hoje precisa virar evento amanhã. Ao reescrever a gênese dos mutantes, a Marvel puxa o gatilho de interesse duas vezes e, no universo em que bilheteria e Disney+ competem pela mesma carteira, isso vale ouro.

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