Sete anos depois de estrelar o fracassado “Inhumans” na ABC, Anson Mount acaba de ser oficializado de volta ao Marvel Studios. O rei silencioso da raça inumana não vai mais se limitar ao cameo de “Doutor Estranho 2”: ele entra na linha de frente da Fase 6, num movimento que reposiciona tanto o personagem quanto a própria história da Marvel na TV aberta.
O anúncio, feito nos bastidores de pré-produção de “Avengers: Doomsday”, desencadeou dois choques simultâneos: confirma que o estúdio parou de fingir que o período ABC não existiu e indica que as peças do multiverso serão fixadas por rostos já familiares – em vez de apenas novos elencos ou variantes curtas. A escolha de Black Bolt como primeiro resgatado de peso lança luz sobre os planos para X-Men, Young Avengers e até o futuro de Wanda.
Marvel admite legado da ABC ao ressuscitar Black Bolt
Desde 2019, Kevin Feige vinha tratando as produções da ABC como parênteses incômodos; “Agents of S.H.I.E.L.D.”, “Agent Carter” e “Inhumans” saíram de cena sem menção canônica. A virada começou em 2022 com a participação-relâmpago do personagem em “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura”, mas então parecia mera piscadela aos fãs. Agora, o estúdio devolve a Anson Mount papel fixo e coloca o trono dos inumanos dentro do eixo oficial da saga Multiversal.
Internamente, executivos classificam o retorno como “mea-culpa estratégico”. Abre-se a porta para que outros veteranos migrem à Fase 6 – caso de Daisy Johnson, vivida por Chloe Bennet, e até de Adrianne Palicki, cuja Mockingbird ficou congelada desde 2016. O recado também interessa a quem acompanha as negociações para o reboot dos mutantes, onde a Marvel já flerta com trazer de volta rostos conhecidos em vez de Restart total.
Volta do rei inumano redesenha rota até “Avengers: Doomsday”
Nos roteiros preliminares de “Avengers: Doomsday”, Black Bolt surge como peça de ligação entre Terrígenese e a tecnologia cósmica que atiça o vilão Immortus. A presença dele ajuda a encerrar a lacuna que separava os inumanos dos X-Men – convergência já apontada no trailer estendido do longa. Ao invés de introduzir tudo do zero, o estúdio aproveita mitologia pré-existente para economizar tempo de tela e, sobretudo, custo de exposição.
Esse reaproveitamento reverbera em outras produções da fase. Em “Spider-Man: Brand New Day”, por exemplo, a retirada do Demolidor do pôster – movimento que irritou os fãs – ganha nova leitura: o estúdio parece reordenar os crossovers para evitar excesso de variantes simultâneas. Já em “Young Avengers”, a mudança de etnia do Hulkling, revelada recentemente, mostra que as antigas séries servirão como banco de actores, mas com liberdade para ajustes repaginados.
O detalhe que passa quase despercebido: Anson Mount retorna com contrato de três projetos – um filme, uma participação especial numa série ainda não divulgada e aparições opcionais em conteúdo animado. Ou seja, os inumanos podem voltar a ser coadjuvantes constantes, mas sem o peso de carregar título próprio. É uma solução pragmática que devolve relevância ao ator querido pelos fãs da ABC e, ao mesmo tempo, mantém a porta aberta para que a Marvel teste a temperatura do público antes de apostar fichas mais altas.
No fim das contas, o rei que fala com um sopro reacende uma discussão antiga: quantas versões de um mesmo universo cabem no bolso – e no calendário – da Marvel? A resposta, ao que tudo indica, será dada com a própria voz (ou ausência dela) de Black Bolt na Fase 6.

