A Marvel decidiu pôr fim ao luto e ressuscitar os Guardiões da Galáxia sem a assinatura de James Gunn, criador da trilogia bilionária que agora comanda o futuro da DC. O novo projeto – descrito internamente como “revival relâmpago” – tem estreia planejada para o primeiro semestre de 2026, oito meses antes de Avengers: Doomsday.
Ao escalar uma dupla de showrunners ainda pouco conhecida do grande público, Kevin Feige assume o risco de mexer em uma das franquias mais autorais da casa justamente quando Gunn reescreve o cânone da concorrente. O movimento não é apenas criativo: ele sinaliza que a Marvel quer impedir que seu lado cósmico fique órfão enquanto reforça o caminho até o próximo evento dos Vingadores.
Feige rompe dependência criativa e convoca nova dupla para o espaço
A aposta recai sobre Andrew Guest, roteirista de Hawkeye, e a diretora Marielle Heller, indicada ao Oscar por Um Lindo Dia na Vizinhança. Eles chegam com uma missão dupla: manter o humor que transformou os Guardiões em queridinhos do público e, ao mesmo tempo, dar um tom mais maduro que dialogue com a investida adulta vista no retorno de Deadpool, já confirmado pela Marvel enquanto o anti-herói se aquece para Avengers: Doomsday.
Nos bastidores, fontes apontam que o formato será um “Special Presentation+”: 90 minutos, orçamento enxuto e liberdade para mudanças de elenco. Rocket e Groot seguem como rostos familiares, mas o plano é usar a nova capitã Phyla-Vell – introduzida na cena pós-créditos de Vol. 3 – para liderar a equipe ao lado de Adam Warlock. A Disney vê nisso um teste de mercado antes de autorizar um Guardians Vol. 4 completo.
Revival entra no xadrez Marvel x DC e mira fãs órfãos de espaço
O anúncio vem dias depois de James Gunn ter “nerfado” seu quarto herói no emergente DCU, conforme revelado pela própria DC Studios. A coincidência não é inocente. Ao mostrar que consegue tocar os Guardiões sem Gunn, a Marvel quer dissipar a narrativa de que seu sucesso dependia exclusivamente do diretor — e minar a expectativa em torno de Superman: Legacy, previsto para 2025.
A cartada espacial também corrige um buraco de calendário: depois de The Marvels, não havia película cósmica até 2027. Sem esse reforço, Doonsday corria risco de chegar com o lado galáctico do MCU frio. Agora, Feige garante:
- Conexão direta entre Phyla-Vell e Franklin Richards, peça-chave no trailer de Avengers: Doomsday;
- Gatilho emocional para Rocket, cuja voz de Bradley Cooper permanece garantida no contrato;
- Possível cameo de Beta Ray Bill, personagem que quase apareceu em Thor: Ragnarok e pode explicar o recuo estratégico de Chris Hemsworth em relação ao Deus do Trovão.
Nos corredores da Marvel, comenta-se ainda que o especial servirá de laboratório para o novo teto de poder imposto ao MCU urbano, tema já visto no trailer de Daredevil: Born Again. A ideia é calibrar a escala antes do encontro multiplataforma que Doomsday exige.
Sem a voz sarcástica de Gunn, o próximo grito de “I am Groot” será o primeiro teste real de independência criativa da Marvel em quase uma década. Se funcionar, abre-se espaço para experimentar outras franquias órfãs de seus autores originais. Se falhar, Feige terá entregue munição de graça ao rival que ele mesmo alavancou. O relógio até 2026 já começou a contar.

