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Nota morna de Marvel’s Wolverine expõe a primeira rachadura na fórmula imbatível da Insomniac

Sete anos depois de uma sequência impecável de hits acima de 85 no Metacritic, a Insomniac Games falhou em manter o próprio sarrafo: Marvel’s Wolverine, exclusivo do PlayStation 5, estacionou nos 78 pontos e quebrou a maré de notas douradas que virou cartão-de-visitas do estúdio por trás de Spider-Man e Ratchet & Clank.

O resultado não é exatamente um desastre comercial — Wolverine segue no topo das pré-vendas da PS Store —, mas reconfigura o debate sobre o modelo de “blockbuster enxuto” que a Sony transformou em religião e a Insomniac dominava como ninguém. Pela primeira vez desde 2016, quando Song of the Deep saiu por fora da curva, críticos apontam que a fórmula começa a mostrar desgaste.

Insomniac sai do patamar 85+ e altera a conversa sobre qualidade

De Ratchet & Clank: Rift Apart (88) a Marvel’s Spider-Man 2 (90), cada lançamento recente da Insomniac consolidou a imagem de estúdio “à prova de nota baixa”. O 78 de Wolverine rompe essa linha imaginária e lança luz sobre a velocidade de produção: foram cinco títulos AAA em seis anos, ritmo raro até para equipes internas da Sony.

Analistas lembram que o orçamento técnico continua visível — os efeitos de rasgo de adamantium disputam com o que vimos nos melhores gráficos do PS5 —, mas a profundidade de sistemas não acompanhou. Críticos relatam combate repetitivo, árvores de habilidades minimalistas e campanha que, apesar das 13 horas, parece se estender justamente quando deveria acelerar.

Quando o “blockbuster de fim de semana” deixa de encantar

Wolverine mantém o DNA cinematográfico que virou a marca PlayStation, mas três decisões de design explicam a recepção morna:

  • Estrutura ultralinear que raramente convida a explorar; quem esperava zonas semimundiais como em Spider-Man encontra corredores disfarçados.
  • Progressão simplificada: poucas habilidades novas por ato, o que dilui a sensação de poder crescente típica do personagem nos quadrinhos.
  • Ritmo irregular — o jogo gasta mais tempo em flashbacks do que no presente, travando o fluxo de ação.

A soma reforça a percepção de “blockbuster de fim de semana”: visual de ponta, duração controlada, pouca gordura, mas também pouca profundidade. Enquanto serviços como o Amazon Prime oferece Doom Eternal sem custo extra, parte do público começa a questionar se pagar preço cheio por experiências cada vez mais compactas ainda faz sentido.

Barômetro para a linha de exclusivos do PS5 em 2024

O tropeço chega num momento em que o calendário first-party da Sony parece menos denso do que na geração passada. Com Astro Bot Rescue Mission 2 e The Last of Us Factions adiados, Wolverine era chamado a sustentar a vitrine premium do PS5 no semestre. A recepção mais fria, mesmo que ainda positiva, altera a narrativa de infalibilidade e dá munição a quem vê espaço para surpresas de concorrentes — de um Switch 2 no horizonte a shooters que pousam diretamente em serviços de assinatura.

Para a Insomniac, o impacto imediato é leve — a base instalada de fãs dificilmente abandonará o navio. Mas o estúdio que virou sinônimo de excelência agora encara um novo tipo de pressão: provar que o 78 foi exceção, não prenúncio de que a velha fórmula precisa de garras mais afiadas.

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