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Naruto avança na LEGO: Vila da Folha alcança 10 mil apoios e pressiona Shueisha a liberar licenciamento

Num intervalo de apenas 38 dias, a maquete da Vila da Folha criada pelo fã norte-americano Dan O’Brien atingiu o teto de 10 mil apoios no LEGO Ideas — patamar que obriga a empresa a avaliar o projeto para produção oficial. É a terceira vez que um set de Naruto chega à fase de revisão; nas duas anteriores, os designers dinamarqueses aprovaram a viabilidade técnica, mas esbarraram no não da detentora dos direitos, a editora Shueisha.

Agora o cenário é outro: com rumores de linha LEGO para One Piece e a corrida global pelo mercado de anime premium, a recusa japonesa virou risco financeiro. Dentro da comunidade de colecionadores, o timing é visto como decisivo para quebrar um tabu que dura dez anos e pode abrir uma nova frente de licenciamento tão ampla quanto a já conquistada por Star Wars.

Apoio relâmpago põe Vila da Folha na mesa da LEGO

O recorde de 10 mil assinaturas em pouco mais de um mês não impressiona só pelo volume, mas pela origem. Segundo análise de dados do próprio Ideas, 62% dos cliques vieram da Ásia e da América do Sul — regiões onde a LEGO ainda perde terreno para kits rivais, como os de encaixe da Bandai. No Brasil, páginas de fãs contabilizaram 1,4 mil novos usuários cadastrados na plataforma apenas para votar no projeto.

O protótipo inclui portão de Konoha, residência do Hokage, torre de observação e minifiguras articuladas de Naruto, Sakura, Sasuke e Kakashi. O’Brien usou 2 984 peças, limite próximo ao teto que a LEGO impõe para não onerar produção. Em teste interno, a empresa já avaliou que a estrutura se mantém estável sem recorrer a tijolos exclusivos, o que reduz custo e facilita distribuição simultânea — estratégia idêntica à do set Hogwarts Icons, best-seller de 2021.

Por que o aval depende mais da Shueisha do que da LEGO

Oficialmente, a LEGO não comenta negociações. Nos bastidores, porém, executivos admitem que a série original de Masashi Kishimoto convive com acordos antigos de merchandising que travam sublicenças para kits de construção. A Shueisha mantém contratos vigentes com a Mega e com a chinesa Kids Logic, empresas que navegavam sozinhas no nicho até a chegada do Ideas.

A pressão aumentou porque a editora japonesa percebeu o efeito de escassez calculada: o set limitado de Sailor Moon a 500 unidades dobrou de preço no mercado secundário em 24 horas, sinal de apetite não atendido. Se negar de novo a parceria, a Shueisha devolve fãs — e dinheiro — para competidores. Executivos apontam que o impasse gera um paradoxo: a marca protege contratos menores e, ao mesmo tempo, abre mão de uma vitrine global em 600 lojas LEGO.

Efeito dominó: anime vira prioridade comercial dos blocos

O caso Naruto é o primeiro a chegar à mesa de revisão depois de a própria LEGO admitir, em conferência com investidores, que “IP oriental” figura entre as cinco metas de expansão até 2027. Coincide também com o burburinho de que One Piece receberá uma linha oficial. Se confirmado, o movimento pode deflagrar uma era de blocos colecionáveis baseada em animes populares, replicando o modelo Marvel de ondas anuais.

Para o consumidor, a mudança promete inverter o jogo da importação paralela: em vez de kits genéricos de qualidade duvidosa, os fãs teriam acesso a peças numeradas, suporte de reposição e guias digitais compatíveis com o app LEGO Builder, que integra instruções em 3D. O possível lançamento também interessa às varejistas, que já vendem o xale de “Castelo Animado” e buscam capitalizar a onda otaku em modo fast fashion.

O veredito deve sair entre setembro e dezembro, prazo padrão do Ideas. Enquanto isso, o fandom amplia a campanha nas redes sociais com a hashtag #approvedbyLEGO. Se a Shueisha ceder, a Vila da Folha não será apenas um conjunto de tijolos: será o emblema do momento em que o anime, enfim, quebrou a última barreira física rumo às prateleiras globais.

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