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Diretor do live-action de Naruto confirma arco inicial e revela virada política que não existe no anime

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Destin Daniel Cretton, escalado pela Lionsgate para finalmente tirar do papel o longa de Naruto, quebrou o silêncio: a história abrirá exatamente onde o mangá começou, mas com um ingrediente político que nem Masashi Kishimoto explorou nos primeiros volumes. O diretor diz que a ameaça de Zabuza ganhará contornos de conspiração entre Vilas Ocultas, deslocando o conflito de “ninja da semana” para jogo de poder global.

A mudança parece pequena, mas altera a rota de um gênero que Hollywood costuma empobrecer: a adaptação de anime. Ao colocar geopolítica no centro do primeiro ato, Cretton tenta blindar o filme do mesmo vício que engessou antigas tentativas live-action – recontar quadro a quadro sem traduzir a essência para cinema. A jogada, segundo executivos ouvidos pela reportagem, também serve para viabilizar sequências já no contrato.

Arco do País das Ondas permanece, mas com sangue novo

A base continuará sendo o chamado “Arco do País das Ondas”, responsável por apresentar Naruto, Sasuke, Sakura e o mentor Kakashi em missão aparentemente simples de escoltar o construtor Tazuna. O diretor, no entanto, ampliará o papel de Gatō, vilão empresário, transformando-o em marionete de uma aliança secreta entre a Vila da Névoa e facções rebeldes da Folha. “Precisávamos de um inimigo sistêmico, não só um mercenário”, comentou Cretton nos bastidores do American Film Market.

Com isso, o filme ganha duas camadas: drama de crescimento pessoal – o órfão rejeitado que quer ser Hokage – e thriller de traição, recurso que o MCU já testou em Capitão América: O Soldado Invernal. A inspiração não é coincidência: o roteirista John D. Payne, que trabalhou em A Roda do Tempo, foi contratado para costurar as tramas políticas e reescreveu diálogos para endurecer Zabuza sem diluir a relação dele com Haku.

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Por que a aposta importa agora para o mercado de anime

O timing não poderia ser mais disputado. Enquanto a Disney+ caça licenças japonesas para rechear o streaming e a Netflix avança com One Piece em LEGO, a Lionsgate corre para posicionar Naruto como franquia de cinema tradicional, não como conteúdo de assinatura. Analistas de bilheteria estimam que um lançamento no fim de 2026 roubaria a janela pós-Vingadores, quando a Marvel deve estar em fase de reestruturação.

Há, porém, lições recentes na mesa. A Warner amargou críticas ao condensar trama demais em Death Note; a Paramount gastou pesado em Ghost in the Shell e esqueceu de preparar o público para seu subtexto. Cretton assume que o fan service não será suficiente: “Se eu filmar só o corredor de jutsus, perco quem nunca folheou o mangá. Preciso mostrar por que aquele selo de mão importa para a política do país vizinho”.

O detalhe que escapa ao leitor casual

Entre as linhas do anúncio, há uma pista sobre o visual: a produção encomendou próteses de névoa congelante para as cenas de Kirigakure, tecnologia usada no set de Godzilla Minus One e capaz de criar microclima real. Isso significa que o espelho de gelo de Haku será prático, não digital, contrariando a tendência recente de computação bruta. O recurso encarece o cronograma em US$ 8 milhões, mas garante reflexos de câmera orgânicos que ajudaram Top Gun: Maverick a ultrapassar US$ 1 bilhão.

Se o plano vingar, Naruto entrará em cartaz como blockbuster de guerrilha emocional e jogada geopolítica, longe da caricatura que afundou adaptações anteriores. A porta fica aberta para que o Exame Chunin – arco preferido de Kishimoto – chegue às telonas embalado em tensão quase realista, exatamente a leitura que o fandom pedia depois de 20 anos de rasenganes animados e nenhum conflito adulto digno das cicatrizes da Vila da Folha.

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