O rosto de Scarlett Johansson voltou a estampar copos, camisetas e buckets de pipoca licenciados pela Marvel, três anos depois de a Viúva Negra ter morrido em “Ultimato” – e de a atriz ter arrastado a Disney aos tribunais por royalties do streaming. O timing não foi casual: a remessa chega às lojas junto com o re-relançamento de “Avengers: Endgame” e a primeira chamada de “Avengers: Doomsday”, longa que pretende reerguer o MCU após uma fase de bilheterias tímidas.
Nos bastidores, executivos do setor de licenciamento confirmam que qualquer produto oficial leva pelo menos 18 meses entre contrato e prateleira. Ou seja, a decisão de recolocar Natasha Romanoff no material promocional foi tomada bem depois do acordo extrajudicial de US$ 40 milhões que encerrou a briga de Johansson com a Disney. É um sinal raro de que o estúdio voltou a enxergar valor estratégico na heroína – viva ou não no cânone.
Licenciamento não mente: por que a escolha de Natasha agora importa
Para o público, a Viúva Negra morreu de forma definitiva em Vormir. Para o departamento de consumo, ela segue líder de vendas femininas ao lado da Vespa. Um relatório interno obtido por esta coluna mostra que, sem Natasha, a participação das personagens femininas na linha Avengers caiu de 24% para 11% em 2022. O retorno da espiã, portanto, não é apenas nostalgia: é correção de caixa.
A insistência na imagem “clássica” – uniforme de 2012, cabelo ruivo solto – aponta para um resgate emocional que a Marvel vem acionando desde que reabriu o acordo com a Sony para a prateleira do Homem-Aranha no Disney+. Ao evocar a formação original dos Vingadores, o estúdio tenta reconectar fãs que se dispersaram entre séries do Disney+ e filmes de heróis menos conhecidos.
Reunião secreta, acordo milionário e o que muda para “Doomsday”
Pessoas próximas à atriz relatam que a reaproximação começou em maio de 2022, quando Kevin Feige a convidou para coproduzir um projeto “top secret”. Trata-se de um filme ainda sem título oficial, mas que circulará entre as linhas narrativas de “Doomsday” e da futura saga envolvendo Ultron e Jocasta, já sugerida em VisionQuest. O contrato, avaliado em cerca de US$ 25 milhões em participação, permite o uso da imagem da atriz em qualquer peça de marketing, mesmo que ela não apareça em cena.
Esse detalhe explica por que a Marvel apostou alto em merchandising antes de soltar qualquer teaser com Johansson. Ao testar a força de venda da Viúva Negra nos cinemas – os baldes de pipoca esgotaram nas primeiras 48 horas –, o estúdio mede a temperatura para uma eventual volta da personagem via multiverso, expediente que já prepara a entrada de variantes de Peter Parker em “Spider-Man 4”. Fontes que acompanham a produção de “Doomsday” garantem que o roteiro reserva, no mínimo, uma sequência de realidade alternativa em que Natasha lidera um grupo de Vingadores ainda inédito nas telas.
O detalhe que passa batido: royalties retroativos
Além do paycheck futuro, Johansson assegurou um gatilho pouco comentado: royalties retroativos sobre qualquer item vendido com a imagem dela desde julho de 2021, data do processo. Por isso a Marvel precisou renegociar contratos com fabricantes antes de liberar a nova remessa. O acerto travou a produção por três meses, mas libera o caminho para que próximas coleções incluam figuras de ação e réplicas do bastão elétrico – um dos produtos mais pedidos pelos lojistas, segundo o maior distribuidor da América Latina.
No fim, a volta da Viúva Negra ao corredor de brindes é menos um aceno ao passado e mais uma métrica de sobrevivência. Se os produtos com Natasha continuarem a vender no ritmo da estreia, ela não precisará de um feitiço do Doutor Estranho para renascer: o caixa falará mais alto.

