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Por que Oda tirou o “Ashura” da gaveta de Zoro depois de 12 anos e o que isso antecipa para o fim de One Piece

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Num relâmpago de três espadas, Roronoa Zoro voltou a libertar o “Ashura” – a técnica demoníaca que o transforma em um espadachim de nove lâminas – pela primeira vez desde Enies Lobby, lá em 2011 no calendário do mangá. O golpe renasceu no capítulo 1010, no clímax contra Kaido, e já reaparece de novo na saga final, indicando que Eiichiro Oda não pretende deixar a forma sumir outra década.

Pouca gente percebeu o subtexto: o retorno não é só fan-service. Ao colocar a habilidade no tabuleiro justo agora, Oda sinaliza que entrou na fase de “inventário”, quando cada arma antiga volta a jogo para justificar seu papel no desfecho. O aviso vale para todo o elenco, mas o caso de Zoro é o termômetro mais claro de como o autor pretende costurar passado e futuro em tempo real.

Zoro reencontra a própria sombra – e vira peça-chave do novo teto de poder

Quando o espadachim liberou o Ashura em Enies Lobby, a cena cravou o ápice do pré-timeskip. Desde então, o mangá escalou a força de forma tão agressiva que a técnica deixou de fazer falta. Kaido mudou o jogo: o imperador sobreviveu a tudo que Zoro já mostrara, obrigando o guerreiro a buscar o “demônio interior” de novo. O detalhe que passa batido é que Oda reescreveu a iconografia do golpe – agora o haki do conquistador cobre as nove espadas, algo impossível em 2011. O autor retoma o efeito visual, mas sobe a barra para caber no meta atual.

Há também leitura narrativa. Ashura é o único movimento que explicita a lenda de que Zoro já deveria ter morrido “centenas de vezes”, como apontou Kaido. Oda aproveita a aura sobrenatural para colocar o personagem na mesma prateleira de Luffy, cujo Gear 5 virou parâmetro de escala. O espadachim, enfim, recebe o respeito que muitos fãs julgavam perdido depois da chuva de power-ups do capitão.

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Resgate não é nostalgia: Oda prepara a “convergência” de antigos trunfos

O Ashura não ressurgiu sozinho. Chopper já afinou o Monster Point sem depender do Rumble Ball; Robin incorporou asas de demônio; Nami transformou Zeus em parte estável do Clima-Tact. Esse resgate coletivo reforça a tese de que Oda está empilhando peças para o arco final, onde antigas promessas precisam ser quitadas antes que o mangá se despeça. Dito de outro modo: se uma técnica ficou no limbo por anos, é melhor esperar que ela volte – e em versão turbinada.

A lógica ecoa fora do papel. A Toei vem acelerando upgrades no anime para manter o ritmo com o mangá e testar a audiência global, mesma política que levou a Netflix a destravar 25 episódios de Gintama de uma tacada só. O ecossistema inteiro percebeu que a nostalgia virou combustível premium na corrida por atenção, e Oda, dono da maior mina de ouro da Jump, sabe capitalizar melhor que ninguém.

O risco da inflação de poderes e a aposta na criatividade tática

Trazer o Ashura de volta resolve um problema de prestígio, mas cria outro: quanto mais alto o teto de poder, mais fácil perder a tensão dramática. Oda aparentemente contorna isso ao privilegiar funções táticas em vez de números brutos. No capítulo em que o Ashura retorna, Zoro não derrota Kaido; ele abre a brecha para Luffy. Significa que, mesmo quando brinca de escalar forças, o mangaká ancora a narrativa em trabalho de equipe – a marca que impediu One Piece de cair na mesma armadilha de Dragon Ball.

Na prática, o renascimento do Ashura é menos sobre quantos planetas um golpe pode cortar e mais sobre qual memória editorial ele evoca. Se até o poder mais “esquecido” do espadachim volta ao holofote, prepare-se: nada está realmente aposentado neste mangá. O leitor que piscar pode perder a próxima carta velha virada do avesso – e é justamente essa sensação de dívida sendo paga que torna a reta final ainda mais imprevisível.

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