InícioAnimesPokémon abandona tradição de um filme por ano e prepara superestreia para...

Publicações relacionadas

Pokémon abandona tradição de um filme por ano e prepara superestreia para 2027

Depois de 26 longas lançados quase religiosamente todo verão desde 1998, a franquia Pokémon engavetou o relógio anual e mirou alto: o próximo filme chegará só em 2027, ano que marca o 30º aniversário do anime. A decisão, confirmada por executivos da The Pokémon Company ao mercado de distribuição asiático, encerra um modelo que faturou mais de US$ 1,8 bilhão em bilheteria global, mas vinha perdendo fôlego desde 2016.

O que parecia mera pausa de pandemia virou reposicionamento estratégico: o novo longa vai estrear em janela “event movie”, com intervalo maior, orçamento inflado e lançamento simultâneo fora do Japão — algo inédito na saga. Nos bastidores, a ordem é usar o hiato para turbinar valor de marca, testar narrativas sem Ash e, sobretudo, sincronizar cinema, games e streaming antes que a concorrência de shonens rivais aperte a fila de 2027.

Fim do ciclo iniciado em 1998 reposiciona cinema como evento premium

A estratégia de um filme anual nasceu quando Pokémon 2000 levou 6,4 milhões de japoneses aos cinemas em apenas três semanas. Durante duas décadas, a matemática funcionou: verão no Japão, férias escolares mundo afora e merchandising quente nas prateleiras. Mas o avanço do streaming e a saturação de roteiros que pareciam episódios esticados fizeram o público doméstico despencar para menos de 1,3 milhão de ingressos em 2019.

Ao cancelar a edição de 2020 nos cinemas e liberar Pokémon: Segredos da Selva direto na Netflix, a franquia mediu outro termômetro: o filme atraiu 50% mais tempo de tela do que a média de animações juvenis, segundo dados internos da plataforma. Esse “ensaio” reforçou a ideia de que a sala escura só vale o investimento se virar grande acontecimento — lógica que a rival Bandai já adota em sagas como o quinteto de blockbusters previstos para 2027.

Alinhamento com games, séries e brinquedos mira faturar fora da tela

A The Pokémon Company quer que o filme de 2027 seja anabolizante de tudo que rodeia a marca. O roteiro será escrito em conjunto com o time de criação dos games principais, algo que não ocorria desde Pokkén. A meta é estrear o longa meses após o provável lançamento da décima geração de jogos, quando a curiosidade por novos monstrinhos atinge o pico.

Nesse cronograma, os brinquedos chegam às lojas antes mesmo da pré-venda de ingressos, prática que a Hasbro testou com sucesso ao lançar um Optimus Prime de 76 cm. Já a animação segue o exemplo do recente especial que colocou Ash fora de cena: o protagonista do longa será um treinador inédito, desenhado para dialogar com o público Gen Alpha, enquanto veteranos aparecem em participações planejadas para viralizar clipes curtos.

Impacto no Brasil vai além da dublagem

O intervalo de sete anos dá fôlego à licenciadora local para renegociar contratos de distribuição simultânea em IMAX e 4DX, formatos que ainda engatinham no circuito de anime por aqui. Expositores estimam que uma estreia conjunta com Japão e Estados Unidos possa triplicar o número de salas dedicadas em relação a 2019. A dublagem, antes feita às pressas para pegar a temporada de férias, agora poderá estrear em sincronia, evitando o fluxo de spoilers que costuma derrubar a segunda semana de bilheteria.

Se cumprir o plano, Pokémon trocará quantidade por expectativa — e, nesse movimento, tenta recuperar a aura de “evento imperdível” que acompanhou seus primeiros filmes. A aposta é alta: ou o dragão acorda mais poderoso em 2027 ou a franquia confirma que seu verdadeiro palco, daqui para a frente, será o streaming.

Últimas publicações