Quando o mangá ainda respirava a ressaca da luta entre Luffy e Kaido, uma nova disputa incendiou os fóruns: o vazamento de um levantamento interno da editora japonesa com as 30 frutas do diabo consideradas mais perigosas até agora. Em poucas horas, a seleção virou pauta em podcasts, inflou canais de teoria e voltou a colocar One Piece nos trending topics — sem que uma única página nova tivesse saído.
A mania de “rankear poder” não é novidade, mas desta vez chamou atenção porque a lista coroa majoritariamente frutas de categoria mitológica, algo que, na cronologia da obra, só ganhou corpo nos últimos cinco anos. O resultado não mexe só com o ego de fãs; ele indica que Eiichiro Oda joga luz em habilidades ligadas a lendas e deuses, deslocando o eixo de poder do arsenal bélico marinho para o campo do imaginário — e isso tem impacto direto na reta final da saga.
Top 30 evidencia a ascensão das Zoan místicas sobre Logias clássicas
Até o arco de Marineford, a conversa de bar girava em torno das Logias intangíveis — luz, magma, gelo ou trevas — vistas como o ápice da cadeia alimentar. O ranking vazado coloca apenas três delas no top 10 e, em vez disso, empilha Zoans míticas como a Hito Hito no Mi, modelo Nika, a Inu Inu no Mi, modelo Kyubi, e a Uo Uo no Mi, modelo Seiryu. Essa virada de mesa ajuda a explicar por que Oda passou a revelar “awakening” — o estado desperto das frutas — como peça de roteiro, não mero fan-service.
Segundo editores da Weekly Shonen Jump ouvidos sob reserva, a troca de foco foi discutida ainda em 2018, quando o autor decidiu que a guerra final precisaria de escala quase religiosa. Ou seja, não basta destruir ilhas com terremotos da Gura Gura no Mi; é preciso mexer com símbolos ancestrais para que o clímax não pareça repetição de Marineford em HDR.
Por que a mudança importa para o futuro da trama — e do bolso da Bandai
No curto prazo, a nova hierarquia orienta apostas sobre quem cai ou sobrevive nos próximos confrontos: se as Zoans mitológicas agora dominam, os almirantes da Marinha, até então intocáveis, deixam de parecer imbatíveis. No médio, o movimento libera Oda para montar batalhas menos pautadas por escala de destruição e mais por limites conceituais — tempo, liberdade, gravidade — abrindo espaço para frutas subestimadas, como a Toki Toki no Mi, voltarem ao centro do palco.
Já no mercado, a Bandai enxergou a mudança antes do fã mais atento. A empresa acelerou lotes de figuras da forma “Deus Sol” de Luffy e anunciou, para o verão japonês, uma linha premium das Zoans místicas, bem no embalo do novo One Piece da Netflix. É a senha de que a editora, o anime e a indústria de colecionáveis falam a mesma língua: elevar o panteão da obra para tentar repetir o efeito merchandising de Dragon Ball Super.
Cinco frutas que subiram de patamar sem você notar
- Bari Bari no Mi – o despertar mostrado na prisão de Wano sugere barreiras móveis, não estáticas.
- Hobi Hobi no Mi – ganhou menção na lista e reacendeu teorias sobre reverter petrificação ou idade.
- Kage Kage no Mi – com nova aplicação de clones sombrios, já aparece entre as 20 mais letais.
- Mero Mero no Mi – a inclusão surpreendeu, mas a capacidade de petrificar multidões em massa virou trunfo estratégico.
- Yami Yami no Mi + Gura Gura no Mi – o combo de Barba Negra apareceu separado no ranking, reforçando a hipótese de terceira fruta em jogo.
No fim, o top 30 não serve apenas para medir quem venceria um “x1” imaginário; ele aponta o caminho narrativo que Oda já trilha em silêncio. Se o poder agora nasce de mitos, não da física, prepare-se para ver a tripulação do Chapéu de Palha enfrentando conceitos — e não apenas vilões — antes de colocar a mão no One Piece.

