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Tempestade em órbita: a rejeição precoce a Hal Jordan obscurece o verdadeiro risco de “Lanterns”

Em poucas horas, a hashtag #NoMoreHal tomou o topo do X/Twitter, com fãs acusando “Lanterns” de ignorar John Stewart e repetir o “erro Ryan Reynolds” de 2011. A fúria obrigou roteiristas a silenciar perfis e acendeu um sinal vermelho no gabinete de James Gunn, responsável por reordenar o universo cinematográfico da DC.

O barulho, porém, erra o alvo. A escolha de Hal Jordan não é o calcanhar de Aquiles da série: o elo frágil está na ambição de transformar “Lanterns” na espinha investigativa do novo DCU, costurando tramas que vão da Terra devastada de “Creature Commandos” ao primeiro contato de “Superman 2 – Man of Tomorrow”. Se essa engrenagem ranger, não haverá protagonista capaz de salvar a corporação esmeralda.

Crítica foca no herói errado e ignora o núcleo noir que sustenta a série

A sala de roteiro descreve “Lanterns” como “True Detective no espaço”: Hal e John terão de investigar um assassinato em território americano que, no fundo, revela um complô galáctico. Nesse formato, Jordan serve menos como estrela e mais como contraponto ao pragmatismo militar de Stewart. Eliminar Hal agora implodiria o espelho moral que transforma a investigação em drama — algo que a própria Marvel fez ao opor Tony Stark e Steve Rogers em “Capitão América: Guerra Civil”.

Mais: o histórico militar de Stewart não some. A balança se inclina a cada episódio — Hal pode ser simpático ao público, mas Stewart é quem carrega a chave política da trama, tarefa que nenhum produtor quer deixar na mão de um novato. A própria Warner teme que a audiência casual confunda um “Green Lantern solitário” com o filme fracassado de 2011; colocar dois Lanternas, portanto, blinda a narrativa ao mesmo tempo em que introduz o novo status quo do DCU.

O verdadeiro risco está na engrenagem DCU, não no protagonismo

Se há algo que deveria preocupar o fandom é o grau de interdependência entre “Lanterns” e as demais produções. O roteiro compartilha arquivos de investigação com “Superman 2”, usa um vilão resgatado em “Creature Commandos” e ainda precisa dialogar com a cronologia de “The Batman 2”, que corre em selo próprio. A falha de comunicação recente entre “Lanterns” e “Superman 2” mostrou o quão frágil é essa costura: um detalhe de datação alterado num roteiro derrubou dois meses de planejamento de arte conceitual.

Sinestro como válvula de escape

Executivos enxergam Sinestro como a peça coringa para manter coerência caso “Lanterns” atrase. O vilão já tem passagem rápida por “Creature Commandos”, como antecipado em reportagem exclusiva. Se a série padecer de ajustes, Gunn pode promover o antagonista em filmes futuros sem depender do timing televisivo — uma solução que o público, ocupado em protestar contra Hal Jordan, dificilmente percebe.

No fim, “Lanterns” corre perigo não pela escolha de um piloto de testes extravagante, mas pela ambição de ser peça fundacional de um universo que ainda engatinha. Se a costura DCU funcionar, Hal e Stewart dividirão o holofote como Lethal Weapon cósmico; se falhar, o boicote de hoje será apenas nota de rodapé diante de um rombo maior na cronologia que Gunn tenta erguer.

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