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Relógio suíço de One Piece volta ao mercado e revela a nova mira do luxo em fãs de anime

Quase oito anos depois de desaparecer das vitrines em poucas horas, o relógio Log Pose de One Piece voltou a piscar no mostrador da suíça Tendence — agora custando o dobro do preço original e com tiragem ainda menor. O anúncio, feito em Tóquio durante um evento fechado para lojistas, disparou listas de espera em menos de 40 minutos e reposicionou o acessório de simples memorabilia a peça de investimento.

A coleção ressuscita não só o icônico modelo que imita a bússola do mangá, mas também a versão “East Blue”, ambos produzidos em Lugano com movimento japonês Miyota. Ao reabrir a porta que havia fechado em 2018, a Tendence deixa claro que a temporada de caça a bolsos otakus de alto poder aquisitivo está apenas começando — e que a escassez controlada continua sendo a arma mais letal.

Relançamento dobra valor e adiciona detalhes que só o colecionador nota

Segundo a própria marca, serão fabricadas 999 unidades do Log Pose e 1500 do East Blue, todas numeradas a laser na lateral da caixa de 50 mm. Em 2018, foram 3000 peças no total. A redução explica por que o preço saltou de US$ 450 para US$ 890 — valor que não inclui taxas de importação no Brasil. Desta vez, o aro 3D recebeu pigmento Super-Luminova azul-esverdeado, invisível de dia e nitidamente inspirado na aura do haki de observação que Luffy desperta na saga.

O mostrador transparente mantém o ponteiro em forma de agulha magnética, mas agora exibe, no fundo, micro-gravações dos mapas de Loguetown e Reverse Mountain, rastreáveis via código QR que leva a um certificado NFT. É a primeira vez que a Tendence associa blockchain a um item físico, reforçando a ideia de “ativos híbridos” que vêm se tornando frequentes no mercado relojoeiro de nicho geek.

Luxo mira o otaku premium — e o streaming serve de vitrine

O movimento não acontece isolado. Nos últimos 18 meses o setor de alto luxo viu a Hatsune Miku virar garota-propaganda de fones hi-end, enquanto estúdios como a Toei firmam parcerias para joias temáticas limitadas. A equação é simples: animes com base de fãs global oferecem público multigeracional disposto a pagar caro por peças que cruzam identidade afetiva com valor de revenda.

Para as marcas, o streaming funciona como uma vitrine permanente. One Piece, por exemplo, bateu recordes na Netflix em 2025 e atraiu novos espectadores que não colecionavam nada antes da live-action. A Tendence aproveita esse segundo pico de popularidade com timing cirúrgico — bem quando a série se aproxima do arco final no mangá e o medo de “ficar sem” alimenta a especulação.

Ficou claro que a guerra pelos fãs de cultura pop já não se trava apenas entre plataformas de vídeo. Ela avança para o pulso, a prateleira blindada e até o porta-joias. Quem perdeu a primeira chance em 2018 corre agora, mas com a consciência de que o relógio deixou de ser souvenir para virar commodity — uma peça capaz de financiar, no futuro, a próxima maratona de streaming ou a passagem para o Tokyo Game Show.

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