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Revanche contra Kaguya: nova edição de Naruto aposta na nostalgia que Boruto não segurou

O rasengan de Naruto e o susanoo de Sasuke voltam a dividir a mesma página dez anos depois do fim de Shippuden. A Shueisha anunciou uma edição comemorativa que reconstrói, em papel premium e extras inéditos, o duelo contra Kaguya do volume 71 — ponto máximo da série original.

Ao escalar de novo o velho Time 7, o selo não persegue apenas brilho nostálgico: tenta estancar a fuga de leitores que Boruto não reteve e reaquecer um merchandising de US$ 4 bilhões que vinha esfriando. A jogada ecoa a corrida de gigantes como Evangelion e Transformers, também mergulhados em “retrô terapia” para manter relevância.

Edição mira fã órfão e corrige falha de mercado aberta por Boruto

No currículo da continuação Boruto, lançada em 2016, há números que preocupam a Shueisha: circulação média 28% menor que a da última fase de Naruto, segundo dados internos. A passagem para o protagonismo da nova geração dividiu o público e deixou prateleiras cheias de encalhes de action figures do jovem Uzumaki.

Com a volta ao clímax de Kaguya, a editora responde a dois anseios de uma tacada. Primeiro, entrega material colecionável que faltava aos leitores que cresceram nos anos 2000 — justamente os que hoje pagam por boxes de luxo. Depois, cria porta de entrada amistosa para a audiência de streaming que descobriu o anime na Netflix mas não quer atravessar 700 capítulos para chegar à luta decisiva.

Entre os bônus, estão rascunhos originais de Masashi Kishimoto, páginas coloridas restauradas e um folheto que detalha a coreografia do combo “Shinra Tensei + Rasenshuriken” nunca mostrado na revista. O pacote estimula revenda em sites de leilão, tendência já vista com o box de Jujutsu Kaisen que triplicou de preço antes mesmo do envio.

Naruto entra na onda retrô que já mexe com Evangelion e Transformers

Não é coincidência que o anúncio surja semanas depois de Evangelion revelar uniformes de gala para os pilotos no 30º aniversário e de Transformers desenterrar um design inédito de 1993. O mercado de cultura pop vive a “crise de meia-idade” dos shonens: personagens que envelheceram com o público precisam se provar relevantes diante de novatos como Demon Slayer, cujo ranking de Hashira, aliás, está em pauta na fase atual do anime.

Para analistas de licenciamento, a volta do Time 7 serve de termômetro. Se a tiragem de 120 mil unidades esgotar em pré-venda, a franquia retoma fôlego para colocar na rua um “Naruto Remaster” em anime, ideia estacionada desde 2022. Caso contrário, o risco é a marca afundar no mesmo silêncio que engoliu a Aniwave, vítima do descompasso entre nostalgia e modelo de negócios.

No fim, a revanche contra Kaguya vale mais pelo que revela do mercado do que pelo combate em si. Se Naruto convencer a própria base a pagar de novo pela batalha que todo mundo já decorou, estará provado que, no jogo da memória afetiva, quem controla a cena final ainda controla a bilheteria.

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