InícioAnimesSaída de Evangelion do Prime Video expõe virada da gigante no mercado...

Publicações relacionadas

Saída de Evangelion do Prime Video expõe virada da gigante no mercado de anime

- Publicidade -

A contagem regressiva para 27 de maio colocou um ponto final em uma das parcerias mais ruidosas do streaming: o Prime Video vai retirar do catálogo mundial os quatro filmes do projeto Rebuild of Evangelion, que sustentavam a prateleira de anime premium da plataforma desde 2019. O adeus encerra o ciclo no mesmo tom em que começou, cercado de silêncio oficial, mas com impacto direto sobre o público que viu o serviço bancar a estreia global de “Thrice Upon a Time” em 2021.

A perda, porém, vai além do saudosismo. Ela revela que a Amazon decidiu recuar na disputa por blockbusters japoneses justamente quando rivais como Disney+ e Crunchyroll queimam caixa para erguer seus próprios troféus até 2026, linha de chegada da atual corrida dos remakes. Em outras palavras, Evangelion sai porque o foco da casa mudou — e o timing não é coincidência.

Contrato caro e audiência dispersa pesaram contra a renovação

Segundo executivos de estúdios ouvidos pelo portal, o acordo fechado entre Amazon e o estúdio Khara previa pagamento escalonado por território, algo que ficou pesado após a coleta de dados de consumo: as três primeiras semanas inflaram a métrica, mas, passado o hype de estreia, a audiência caiu para patamares considerados “de nicho caro”. Em 2024, com o Prime Video migrando da lógica de catálogo para a de franquias originais — vide a aposta em “Fallout” e “The Boys” —, Evangelion virou alvo fácil de corte.

O movimento também poupa a empresa de renovar dublagens em 11 idiomas e upgrades técnicos exigidos por uma eventual janela em 8K no Japão. Custos assim só se justificariam se a obra fosse usada como chamariz constante, algo que a equipe de programação já não vislumbrava. A opção foi liberar a licença um ano antes do vencimento completo, prática comum quando há interesse de terceiros em assumir a marca rapidamente.

- Continua após publicidade -

Janela escancarada para nova guerra de lances

A saída criou um vácuo simbólico: nenhuma outra plataforma ocidental detém hoje a quadrilogia inteira. Nos bastidores, fontes de mercado citam dois candidatos imediatos. De um lado, a Disney+, que quer ampliar o pacote de anime depois de levar “Bleach: Thousand-Year Blood War”; de outro, a Crunchyroll, que aposta no apelo nostálgico — a mesma tática que embala o resgate de clássicos dos anos 90 na empresa desde abril.

Os valores especulados já bateram 45 milhões de dólares pelos direitos globais de três anos, sobretudo porque o material conta com dez faixas de áudio prontas e master 4K. Para o estúdio Khara, a briga é conveniente: sem um único lar fixo, Evangelion se torna peça de leilão periódico, garantindo renovação de receita e visibilidade a cada troca de vitrine.

Impacto no fã: dublagem brasileira some junto com extras raros

Ao contrário do que ocorre quando um anime troca de mãos no Japão, a remoção no ocidente levará consigo todo o pacote de localização. A dublagem brasileira, elogiada pela participação do elenco clássico da série de TV, não está licenciada fora do Prime Video; portanto, desaparece temporariamente. O mesmo vale para os bastidores de 53 minutos dirigidos por Kazuya Tsurumaki, liberados como bônus em 2022 e até hoje inéditos em mídia física.

Para quem pretende maratonar, resta menos de uma semana. Depois disso, somente a série original permanecerá disponível — e ainda assim sob o guarda-chuva da Netflix. No tabuleiro global, a manobra reforça a percepção de que a Amazon trocará relíquias cult por marcas que possam gerar spin-offs próprios, enquanto Evangelion se prepara para mais uma reencarnação, possivelmente antes do próximo inverno japonês. O fim de um ciclo, ao que tudo indica, é também o início do próximo leilão milionário do anime.

Acesse diariamente nossas dicas sobre animes e games para não perder nada. Siga também o RadioGeekBR no Facebook!

- Anúncio -

Últimas publicações