Ainda nem vimos o primeiro longa do reboot, mas o roteiro de “Lanterns” que circula nos bastidores da HBO Max já cravou a sexta equipe de super-heróis do novo DCU. O grupo, mantido em sigilo até semana passada, aparece em uma cena que junta Hal Jordan, John Stewart e três personagens nunca citados em público – e que, segundo apuração do portal, compõem a formação inicial dos Omega Men.
O detalhe muda a aritmética de James Gunn: antes mesmo de “Superman: Legacy” chegar aos cinemas em 2025, seu universo terá o dobro de times que o antigo DCEU levou dez anos para erguer. Mais que pressa, a manobra revela uma engenharia narrativa pensada para streaming, onde a fidelidade do público se constrói em temporadas, não em trilogias.
Seis times antes do primeiro filme: contagem expõe nova lógica de franquia
Somam-se agora Omega Men, Tropa dos Lanternas, Creature Commandos, A Autoridade, Esquadrão Suicida (via “Waller”) e a Bat-Família prometida em “The Brave and the Bold”. É a maior densidade de coletivos que a DC já apresentou num ponto tão cedo da cronologia. Para comparação, o MCU precisou de 21 produções para chegar a seis grupos oficiais.
A pressa não é acidente. De acordo com executivos consultados, Gunn quer esparramar “peças de tabuleiro” em blocos para depois escolher quais merecem longas caros. O chefe da DC já confirmou dez séries animadas em desenvolvimento, estratégia descrita internamente como “peneira de engajamento”. O time que viralizar primeiro pula a fila do cinema.
Por que “Lanterns” virou laboratório de equipes
Na prática, a série dos Lanternas assumiu papel que “Guardiões da Galáxia” teve para Gunn na Marvel: introduzir um canto inexplorado e, de quebra, testar carisma coletivo. Episódios anteriores já escondiam cartas — como o disfarce de Noah que esbarrou em Caçador de Marte. A entrada dos Omega Men eleva as apostas cósmicas sem depender de CGI de cinema, pois o orçamento da HBO Max bancará apenas criaturas-chave e cenários fechados.
Nos roteiros obtidos pelo portal, o novo grupo surge durante a investigação do “cadáver” de Hal Jordan — morte que Gunn precisou esclarecer publicamente depois de especulações sobre retcon. A jogada dá ao show um gancho duplo: resolve o mistério do protagonista e injeta uma tropa que, nos quadrinhos, já enfrentou tanto o Lanterna Verde quanto Darkseid. Ou seja, barateia a introdução de um vilão planetário sem queimá-lo em filme solo.
O detalhe quase invisível: vínculo direto com Superman e Flash
O fan-service embutido passa rápido na leitura, mas dois nomes de bastidores ligam os Omega Men a projetos externos. O primeiro é o de Guy Gardner, referenciado em anotações de cena e já estampado em arte promocional que também costura o Superman de Gunn. O segundo é a menção a um “corredor temporal” – expressão idêntica à usada no teste secreto para o novo ator do Flash. A pista indica que a sexta equipe não nasceu para ficar confinada ao espaço: ela pode selar, em crossover futuro, a ponte entre o núcleo cósmico e a cronologia terrestre do DCU.
Com isso, James Gunn economiza tempo, diversifica portfólio de personagens e coloca a conversa sobre equipes – não sobre heróis isolados – no centro do reboot. Gostemos ou não da tática, ela explica por que cada vazamento de “Lanterns” parece antecipar o que virá em filmes ainda não rodados. Ao acelerar a apresentação de times, o DCU aposta que a intimidade coletiva vale mais do que a construção individual que guiou a era dos blockbusters até aqui.

