O presidente da Sony Pictures, Tom Rothman, jogou um balde de água fria na euforia dos fãs ao declarar que a “segunda trilogia” de Tom Holland como Homem-Aranha ainda não passou de conversa. A fala, feita nos bastidores de um evento com investidores, desmonta a narrativa de que o acordo com a Marvel Studios estaria selado desde No Way Home e reacende o fantasma de 2019, quando as partes quase romperam.
A novidade chega num momento delicado para o MCU: após uma série de bilheterias tímidas, a Disney contava com o herói para retomar o fôlego da Saga do Multiverso. Sem contrato assinado, qualquer plano de integrar Peter Parker a Avengers: Doomsday ou a futuros crossovers vira areia movediça — um detalhe que explica por que a Sony vocaliza sua incerteza justamente agora.
Disputa por poder criativo trava o sinal verde
Segundo executivos próximos às tratativas, a divergência não gira mais em torno da divisão de bilheteria — hoje majoritariamente favorável à Sony —, mas sobre quem assina as decisões criativas. A Marvel quer manter controle de roteiro, tom e participação de personagens próprios, enquanto a Sony tenta empurrar o Aranhaverso animado como bússola estética da franquia live-action.
O impasse ecoa o atrito de 2019, quando Kevin Feige saiu da mesa e a internet previa o fim do herói no MCU. Naquele ano, Tom Holland intermediou a reconciliação, mas agora o ator está em posição diferente: com 27 anos e um contrato já encerrado, ele passou a exigir “histórias que envelheçam junto comigo”, relatam fontes do estúdio. Sem consenso sobre o direcionamento — colegial ou fase adulta —, nenhuma das partes se comprometeu publicamente.
A gota d’água teria sido a proposta de introduzir Miles Morales ainda na primeira parte da nova trilogia. Para a Sony, ele é a chave para turbinar licenciamento; para a Marvel, dividir o protagonismo de Peter neste momento enfraqueceria a cartada que pretende conectar a trama a Brand New Day e ao arco de Kang.
Cronograma da Marvel vira refém dos bastidores
A Marvel trabalha com uma janela de estreia entre julho de 2026 e maio de 2027 — vagas que, oficialmente, estão reservadas para “filme não anunciado”. O roteiro rascunhado por Chris McKenna e Erik Sommers foi congelado até que o novo acordo defina escopo e orçamento, o que, na prática, mantém as câmeras desligadas por pelo menos mais oito meses.
Essa pausa pressiona todo o calendário. Se o contrato escorregar para 2025, o estúdio terá de decidir: atrasar a conclusão da Saga do Multiverso ou acelerar a produção e correr risco de roteiro instável, erro que prejudicou Quantumania. A incerteza respinga até em futuros projetos urbanos, como Daredevil: Born Again, que contavam com participações pontuais do Amigão da Vizinhança.
Por que a Sony fala agora?
Rothman sabe que declarar “nada confirmado” num momento em que a Marvel corre para aprovar orçamentos para 2026 amplia seu poder de barganha. Qualquer atraso ameaça o efeito dominó que culmina em Avengers: Doomsday; logo, cada semana de silêncio público da Sony vale milhões em concessões criativas. É a mesma lógica que levou o estúdio a vazar fotos do Quarteto Fantástico 3 cancelado anos atrás: expor a dependência da parceira para elevar a própria cotação.
Se a estratégia vai funcionar, ainda é cedo para cravar. Mas o recado está lançado: enquanto o contrato não aparecer no papel, o futuro de Tom Holland como Homem-Aranha serve menos como certeza de entretenimento e mais como moeda de troca no tabuleiro bilionário entre Sony e Disney.
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