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Square Enix antecipa 2ª temporada de The Apothecary Diaries e muda o jogo pós-Fullmetal Alchemist

Antes mesmo de o último episódio da primeira temporada ir ao ar nesta semana, The Apothecary Diaries já ganhou sinal verde para uma continuação. O anúncio veio da própria Square Enix, que publica o mangá original e financia o anime – um movimento incomum de antecipação que ecoa o cuidado histórico do estúdio com o fenômeno Fullmetal Alchemist.

O timing não é apenas euforia de fã: ao garantir a 2ª temporada enquanto a série ainda lidera discussões nas redes, a companhia fecha brechas para que concorrentes arrebanhem o público flutuante que devorou 24 episódios de investigação palaciana, intriga médica e doses milimétricas de romance.

Renovação precoce expõe nova lógica de pipeline

Diferentemente do passado, quando Square Enix testava as águas por ciclos inteiros antes de abrir os cofres novamente, a renovação de The Apothecary Diaries foi articulada em apenas onze semanas de exibição — intervalo quase idêntico ao que a Crunchyroll levou para estender Kaiju No. 8 para 23 episódios. A meta é manter o hype constante e empurrar novos volumes do mangá (hoje na casa dos 15 milhões de cópias) nos meses de hiato animado.

Segundo executivos ouvidos em eventos setoriais, o cálculo mudou após Fullmetal Alchemist: Brotherhood. Em 2010, o estúdio colheu índices estáveis por sete anos com relançamentos e jogos, mas perdeu terreno na virada do streaming. O aprendizado é simples: o espectador que maratona um anime sazonal desaparece em até 60 dias se não houver perspectiva clara de retorno. A renovação adiantada desloca o relógio de atenção para 2025 e, de quebra, turbina licitações de dublagem internacional.

O detalhe que garante fôlego até 2025

O anúncio veio acompanhado de um bônus discreto que passou batido por parte da imprensa: a próxima temporada já tem storyboard em produção desde janeiro. Isso significa que o estúdio TOHO Animation trabalha com folga de nove meses antes da entrega final — o dobro do prazo que estrangulou Bleach: Thousand-Year Blood War e gerou adiamentos em série.

Na prática, a folga reduz riscos de queda de qualidade, libera a equipe para negociar talentos caros de pré-produção e oferece janela para que a autora Natsu Hyuuga conclua o arco “Cerimônia da Magnólia” no mangá. Essa sincronia entre papel e tela evita o hiato forçado que prejudicou The Heroic Legend of Arslan, outro título ligado a Hiromu Arakawa, cujo material original encostou no anime e congelou a adaptação.

Por que isso importa além da fandom

Para a indústria, a jogada reacende a tese de que The Apothecary Diaries pode assumir o posto de carro-chefe da Square Enix no audiovisual após o ciclo de 20 anos de Fullmetal Alchemist. A série reúne três ativos valiosos: protagonismo feminino não sexualizado (raro em shonen), trama de mistério episódico que dialoga com o algoritmo de recomendação e potencial infinito de spin-offs de época para merchandising.

Fora das telas, livrarias japonesas já relatam alta de 180% na procura pelos romances originais desde janeiro, superando a curva observada na reimpressão de Demon Slayer em 2020. Com a segunda temporada confirmada, essa cauda longa deve atravessar, sem concorrência direta, o intervalo em que o calendário da Shonen Jump+ fica vago após o retorno de Boruto em setembro, abrindo espaço para que Square Enix retome a dianteira no varejo de mangás.

No fim das contas, o “sim, teremos mais” dito antes do adeus da primeira leva não é cortesia: é a prova de que a empresa aprendeu a ocupar lacunas de mercado antes que o burburinho esfrie — lição que vale ouro em tempos de binge-watching instantâneo.

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