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Terceira debandada: por que diretores formados pela Marvel agora preferem filmar Star Wars

Star Wars voltou a balançar o organograma da Disney ao confirmar Sharmeen Obaid-Chinoy, diretora de alguns dos episódios mais elogiados de Ms. Marvel, como comandante do longa que trará Rey de volta à tela. É a terceira vez em seis anos que a Lucasfilm pesca um nome lapidado pelo vizinho Marvel Studios, repetindo o trajeto de Jon Favreau e Taika Waititi.

A operação parece rotineira – afinal, ambas as marcas pertencem ao mesmo conglomerado –, mas a frequência crescente mexe no equilíbrio interno: cada virada de chave escancara que Star Wars ganhou poder de atração justamente quando o MCU enfrenta atrasos, refilmagens e a missão de reinventar sua linha de sucessos, como já se percebeu no reboot citado em “Marvel vira o jogo”.

Por que criadores migram de Kevin Feige para Kathleen Kennedy

Dentro da Disney, a divisão de trabalho é clara: Marvel Studios opera sob um método quase seriado, com roteiro fechado antes mesmo de o diretor entrar em cena; já a Lucasfilm aposta em salas de escritores, liberdade para mudar de rota no set e, nos últimos anos, um controle mais enxuto do calendário. Para cineastas que querem assinar a própria voz, essa diferença pesa.

Obaid-Chinoy chegou a negociar sequência dentro do MCU depois de dirigir Ms. Marvel, mas topou o convite de Star Wars logo após a temporada de reuniões em Burbank revelar que o novo “selo cósmico” da Marvel – previsto para depois de Avengers: Doomsday – não sairia antes de 2028. A promessa da Lucasfilm era mais direta: roteiro fechado em 2024, filmagem em 2025 e lançamento no fim de 2026, alinhado ao aniversário de 50 anos da franquia.

O case de Jon Favreau explica a mudança de clima. Criador do Iron Man que inaugurou o MCU, ele viu a cadeia de aprovação ficar mais engessada após Vingadores: Ultimato. Em The Mandalorian, Favreau ganhou carta branca para escrever, produzir e até supervisionar efeitos digitais – liberdade que culminou na primeira série de TV da saga a estourar no streaming. Taika Waititi seguiu a trilha: enquanto o quarto Thor passou por cortes e piadas limadas, o cineasta recebe sinal verde para experimentar tom farsesco em seu projeto de Star Wars, ainda sem título oficial.

A atração de Kennedy não se limita à autonomia criativa. Orçamentos de US$ 200 milhões são a regra nos dois estúdios, mas a Lucasfilm, hoje, oferece janela de estreia mais tranquila: três longas confirmados até 2027 contra seis datas embaralhadas do MCU, que ainda lida com o efeito cascata de greves e da revisão do planejamento de séries.

Efeito colateral: o que Marvel perde e Star Wars ganha

A saída simultânea de três diretores experientes bate em um ponto sensível para Kevin Feige: manter ritmo anual de blockbusters. Com Destin Daniel Cretton deixando Avengers 5 e Shawn Levy dividido entre Deadpool 3 e uma eventual investida em Star Wars, a máquina da Marvel passou a girar com interinos e produtores adicionais, estratégia que aumenta custo e dilui identidade autoral.

Para Star Wars, o ganho é direto. Favreau trouxe a engenharia narrativa do MCU e desenhou o “Mandoverse”, que agora servirá de base para um filme-evento. Waititi injeta humor meta e pode reposicionar a saga para o público que cresceu com Guardiões da Galáxia. Já Obaid-Chinoy amplia representatividade em frente e atrás das câmeras: ela será a primeira mulher a comandar um longa live-action da marca, movimento que ecoa a busca por novos rostos no elenco, algo que a Marvel explorou mas não consolidou após a Fase 4.

Cronologia da diáspora

  • 2019 – Jon Favreau encerra participação direta no MCU e assume The Mandalorian.
  • 2020 – Taika Waititi anuncia acordo duplo: Thor 4 e filme de Star Wars em desenvolvimento.
  • 2023 – Sharmeen Obaid-Chinoy, após Ms. Marvel, é oficializada no projeto New Jedi Order.

A dança de cadeiras expõe, ainda, o humor dos executivos de Burbank: no auditório, aplaudem a sinergia; nos bastidores, calculam o risco de concentrar criatividade no mesmo pool de profissionais. Enquanto isso, os fãs enxergam um raro intercâmbio capaz de levar a inventividade de Iron Man para a galáxia muito, muito distante – e devolver à Marvel a urgência de reinventar seus bastidores, como já se desenha nos desdobramentos de Avengers: Doomsday, cujo nono pós-créditos, liberado recentemente, tenta reacender o frescor do estúdio.

Se a tendência continuar, não será surpresa ver diretores usando o casaco do MCU como rito de passagem antes de cruzar o corredor rumo a Star Wars. Para a Disney, o ideal é que ninguém perceba perda ou ganho: a empresa prefere vender a narrativa de “casa única”. O problema é que, quando três pesos-pesados escolhem a Lua de Endor em vez da Terra-616, o público nota – e o mercado também.

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