Em plena febre do Game Boy, a TecToy percebeu uma brecha para colocar a SEGA na disputa dos portáteis de baixo consumo.
Nos bastidores, o então presidente Stefano Arnhold tentou convencer a matriz japonesa a aprovar um novo console de bolso monocromático.
O objetivo era simples: oferecer a biblioteca da SEGA em um aparelho que usasse poucas pilhas, tal qual o sucesso da Nintendo.
O plano avançou a ponto de atrair parceiros e estimar custos de produção.
Mesmo assim, a proposta foi barrada por executivos em Tóquio, que não aceitavam abrir mão de telas coloridas.
Anos depois, Arnhold contou os detalhes em entrevista ao site Time Extension, reacendendo a curiosidade dos fãs.
Projeto de portátil estilo Game Boy empolga TecToy
À época, o Game Boy já caminhava para ultrapassar 120 milhões de unidades vendidas, enquanto o Game Gear mal atingia 10,62 milhões.
Arnhold observou que o maior vilão do aparelho da SEGA era o gasto de bateria provocado pela tela colorida e iluminada.
A solução proposta? Um portátil estilo Game Boy com display monocromático, mais leve e econômico.
Uma fabricante de Taiwan mostrou um protótipo que serviu de base.
O áudio não agradou, mas o departamento de engenharia da TecToy garantiu que resolveria o problema sem inflar demais o orçamento.
Nas contas do executivo, vender apenas 500 mil unidades cobriria o investimento inicial.
Com as estimativas em mãos, Arnhold levou a ideia à norte-americana Tiger Electronics, que sinalizou interesse em produzir o console e licenciar títulos como Sonic, Altered Beast e Golden Axe.
Segundo ele, colocar o novo dispositivo lado a lado com um Game Boy mostraria “algo muito parecido, porém com nossos jogos”.
Para o ex-líder, era um lançamento sem chance de fracasso.
Imagem: Divulgação
SEGA veta o plano e projeto some dos registros
O entusiasmo, porém, não durou.
Arnhold relata que ouviu um “de jeito nenhum” contundente da direção da SEGA quando apresentou o portátil estilo Game Boy.
A ordem foi clara: a empresa nunca lançaria um dispositivo monocromático novamente.
Tiger Electronics fica sem parceiro japonês
Sem o aval da dona da marca, o acordo com a Tiger Electronics morreu antes de nascer.
Por precaução, toda documentação foi destruída para evitar vazamentos e preservar a relação entre TecToy e SEGA.
Apesar de engavetado, o episódio mostra como a TecToy, velha conhecida do público do OrdemGeek, quase colocou nas prateleiras um concorrente direto do Game Boy feito sob medida para o mercado brasileiro.
Ficou apenas a curiosidade: será que o público teria abraçado o console econômico da SEGA?
Conte para a gente nos comentários e acompanhe outras histórias de bastidores aqui no site.
Acesse diariamente nossas dicas sobre animes e games para não perder nada. Siga também o RadioGeekBR no Facebook!

