Os corredores da TFCon Chicago mal abriram as portas quando uma fila se formou diante do estande “Exclusives & Oddities”. O motivo atende pelo nome de Megatooth, releitura ainda mais grotesca de Repugnus, o Autobot inseto que até fãs veteranos de Transformers custam a lembrar. Em menos de duas horas, metade das mil unidades já havia trocado de mãos por US$ 229 cada.
Não se trata apenas de mais um item limitado: o Megatooth marca a primeira aparição oficial do personagem em formato de “masterpiece scale”, nível de acabamento reservado a ícones como Optimus Prime. Ao apostar num monstro de terceira linha, a Hasbro e a parceira Planet X testam se o apetite nostálgico dos colecionadores superou a barreira da fama — e os números iniciais sugerem que sim.
Boneco leva a estética body-horror ao limite e renova a sublinha Monsterbots
Lançado originalmente em 1987, Repugnus integrava o trio Monsterbots, figuras que geraram mais piadas do que vendas na época. Trinta e seis anos depois, o Megatooth faz o caminho inverso: traz acabamento fosco, 57 pontos de articulação e duas cabeças intercambiáveis que alternam entre a face robô clássica e uma versão body-horror inspirada nos designs de insetos de Guillermo del Toro.
O salto de qualidade responde a um incômodo antigo do fandom: até hoje, o personagem só recebera minifiguras ou reedições simplificadas. “Não dava para colocar Repugnus ao lado de um Starscream moderno sem que parecesse brinquedo de 1,99”, admite um colecionador ouvido pelo portal. A Planet X incluiu ainda lâminas de titânio retráteis e LEDs nos olhos — extras que justificam o preço salgado e miram no público que exibe estantes iluminadas em redes sociais.
Exclusividade cria corrida paralela e pressiona políticas de licenciamento da Hasbro
No primeiro dia de evento, plataformas de revenda já anunciavam o Megatooth por até US$ 400. O fenômeno repete o que aconteceu recentemente com o set de Totoro na LEGO Ideas: tiragens curtas viram moeda de especulação imediata, enquanto a fabricante celebra “engajamento” sem assumir compromisso de reposição.
O ponto de ruptura está próximo
Executivos da Hasbro defendem que produtos exclusivos mantêm viva a cultura de convenções, mas revendedores apontam um efeito colateral: a proliferação de fabricantes não licenciados, que enxergam oportunidade onde a oferta oficial é restrita. Basta lembrar o sucesso underground das versões third-party de Grimlock e do recente flashback cinematográfico de One Piece, ambos impulsionados por comunidades que se sentem preteridas.
Nos bastidores, já se discute abrir uma janela de pré-venda online para modelos futuros, prática adotada por estúdios de animação chinesa como o de Scissor Seven. Se a mudança sair do papel, o Megatooth pode entrar para a história não apenas como o renascimento de um monstrengo obscuro, mas como o gatilho que obrigou a Hasbro a repensar o significado de “exclusivo” em tempos de colecionismo globalizado.
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