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Turnê de 40 anos de Zelda ignora Portugal e expõe desacerto da Nintendo com fãs lusos

Quando a Nintendo divulgou os destinos da turnê orquestral que celebra quatro décadas de The Legend of Zelda, o nome de Lisboa não apareceu em nenhuma data. A ausência soou como desafino para uma comunidade que lotou sessões de Pokémon Symphonic em 2017 e comprou esgotados ingressos de Final Fantasy Distant Worlds em 2019.

O corte, porém, não é mero lapso de agenda: revela como a gigante japonesa ainda mede sua presença ibérica pela régua espanhola – e reforça a sensação de que Portugal permanece fora do radar estratégico, mesmo em pleno boom de consumo geek pós-pandemia.

Número de fãs cresce, mas calendário trava em Madri e Barcelona

De acordo com a Nintendo Portugal, a turnê passará por 12 cidades europeias entre setembro de 2024 e março de 2025. Madri e Barcelona entram no roteiro; Porto e Lisboa, não. A guinada contrasta com o aumento de 37 % nas vendas físicas de jogos Zelda em território português desde o lançamento de Tears of the Kingdom, segundo dados repassados por uma das maiores redes de varejo local.

Números à parte, o efeito simbólico pesa mais. Portugal tem hoje 618 mil usuários ativos de Switch – quase 6 % da população –, proporção superior à da França, onde a turnê terá duas datas extras. O país também recebeu, nos últimos cinco anos, eventos lotados de game music independente, comprovando viabilidade de público.

Decisão expõe modelo de distribuição “Espanha primeiro”

Executivos que acompanham a operação ibérica afirmam, em condição de anonimato, que a matriz japonesa ainda centraliza marketing, logística e bilheteria da Península a partir de Madrid. Isso explicaria por que promoções de Zelda raramente chegam às estantes lusas na mesma semana que aparecem em Sevilha ou Valência.

A estratégia era aceitável quando o mercado português representava nicho restrito. Hoje, ela soa datada: lojas locais relatam estoques esgotados de amiibo e edições limitadas em 48 horas. O contraste lembra o que ocorreu com a Sony na CES, quando a empresa rompeu um ritual porque percebeu que o mapa de relevância havia mudado.

O que precisaria mudar para Lisboa entrar no mapa

Fontes ligadas à promotora europeia listam dois entraves: falta de arena disponível na semana desejada e participação financeira da filial local. O Altice Arena, maior espaço coberto de Lisboa, tem datas livres em janeiro, mas a Nintendo exige coparticipação mínima de 30 % do parceiro no risco de bilheteria.

A solução pode vir da bilheteria digital. Organizações independentes que produziram concertos de Halo e Kingdom Hearts no país calculam que 65 % das vendas são online – modelo que reduziria o risco pedido pela Nintendo. Se a empresa não mover a pauta, agentes de turnê já cogitam adquirir o formato de licença direta e operar por conta própria, algo inédito na série Zelda.

Até lá, fãs portugueses terão de atravessar a fronteira ou esperar que a orquestra digitalize o espetáculo, como a Square Enix fez com Final Fantasy. Para quem coleciona rupees e espera há quatro décadas por um tema tocado em casa, a lacuna soa maior do que qualquer overworld.

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