A Microsoft decidiu interromper a divulgação do seu tradicional relatório anual de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI). A gigante de Redmond também eliminou referências explícitas à diversidade das metas de avaliação de desempenho dos funcionários.
A medida, revelada por fontes internas e confirmada pela companhia, indica uma guinada na forma como o tema é monitorado. Em nota, a empresa afirma que vai priorizar “formatos mais dinâmicos”, como histórias e vídeos, para mostrar seus avanços.
Microsoft recua nos esforços DEI: mudanças nos relatórios
O relatório anual de DEI da Microsoft vinha detalhando, desde 2013, percentuais de contratação, promoções e representatividade de minorias na força de trabalho. Com o novo direcionamento, esse documento deixa de existir, dando lugar a conteúdos em vídeo e cases internos.
Frank Shaw, vice-presidente de comunicações, declarou que a missão de “empoderar cada pessoa” continua. Segundo ele, formatos mais flexíveis tornarão os resultados “acessíveis e vivos”. Contudo, fontes ouvidas pelo site The Verge relatam preocupação com a transparência dos dados.
Na prática, a ausência do relatório dificulta a comparação anual de métricas. Investidores, organizações de direitos civis e até funcionários usavam o material para acompanhar o ritmo de avanço em diversidade. Agora, terão de confiar nos novos formatos, que não possuem estrutura padronizada.
Impacto nas avaliações internas
Além do fim do relatório, a Microsoft removeu DEI e segurança cibernética da lista de prioridades que orientam a revisão de desempenho. Antes, cada colaborador precisava registrar ações concretas para impulsionar diversidade. Esse campo foi suprimido.
Imagem: Bruno Galvão
Os formulários de recursos humanos obtidos pelo The Verge pedem apenas metas cumpridas, métodos adotados, obstáculos encontrados e planos futuros. A palavra “diversidade” não aparece. Com isso, iniciativas de equidade podem perder espaço no cotidiano das equipes.
Para o público do OrdemGeek, acostumado a acompanhar grandes movimentos da indústria de games e tecnologia, a mudança desperta questões importantes: ainda veremos progresso mensurável se os números não forem divulgados?
O que muda para os funcionários
Sem a cobrança formal, gestores deixam de pontuar esforços relacionados a recrutamento inclusivo ou criação de ambientes seguros. Isso pode afetar bonificações e promoções, reduzindo incentivos para programas internos de representatividade.
A empresa, porém, garante que a cultura inclusiva continua “inalterada”. Resta saber se as novas métricas — menos públicas e mais subjetivas — conseguirão manter o mesmo nível de engajamento entre as equipes globais.
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