Shuhei Yoshida, figura histórica da marca PlayStation, voltou a comparar o desenvolvimento de jogos no Japão e na China.
Segundo ele, os estúdios japoneses não conseguem acompanhar a agilidade chinesa, que entrega títulos de grande escala em prazos cada vez menores.
A declaração foi dada ao site 4Gamer e coloca mais lenha na discussão sobre competitividade asiática na indústria de games.
Yoshida credita a disparidade a três fatores principais: equipes numerosas, flexibilidade na formação de times e jornadas de trabalho extensas.
Para o executivo, esses pontos geram um “turbo” que o Japão, limitado por regras trabalhistas e barreiras culturais, não consegue replicar com facilidade.
Enquanto isso, empresas como miHoYo — criadora de Genshin Impact — viram símbolo da eficiência chinesa.
Estúdios japoneses enfrentam limitações legais e culturais
O ex-chefe da PlayStation afirma que o Japão impõe teto de horas extras e exige contratos rígidos, algo que trava o crescimento rápido dos estúdios japoneses.
Já na China, é comum montar times gigantes em pouco tempo, redirecionando profissionais conforme o projeto avança.
Na prática, isso significa ciclos de produção mais curtos e entregas constantes de conteúdo.
Yoshida relembrou uma visita à miHoYo, onde descobriu que a empresa consegue redistribuir centenas de desenvolvedores em poucas semanas.
“Esse modelo seria quase impossível aqui”, disse, referindo-se ao arcabouço jurídico japonês que protege o bem-estar do funcionário, mas reduz velocidade.
O resultado é visível: produtos chineses chegam ao mercado primeiro, capturam audiência global e geram receita que retroalimenta novos investimentos.
Além disso, o número absoluto de profissionais qualificados pesa.
Com população maior e incentivos regionais, a China dispõe de um verdadeiro exército de artistas, programadores e roteiristas.
Para Yoshida, essa combinação gera vantagem competitiva clara.
Questões de IA agravam o cenário
Enquanto tenta acelerar projetos, a indústria nipônica travou outra batalha: o uso de obras protegidas para treinar inteligência artificial.
No mês passado, Bandai Namco, Square Enix e outras editoras uniram-se à CODA para pedir que a OpenAI pare de alimentar o modelo Sora 2 com conteúdo sem licença.
Imagem: Adolfo Soares
O movimento reforça a postura conservadora do Japão diante de novas tecnologias, contrastando com a abordagem “testar primeiro, negociar depois” vista na China.
Para Yoshida, essas tensões distraem e consomem recursos que poderiam ser destinados a inovação direta nos estúdios japoneses.
Velocidade chinesa muda o jogo para quem produz e para quem joga
Com títulos lançados em ritmo quase trimestral, a China dita tendências que moldam expectativas de players no mundo todo.
Para os estúdios japoneses, isso significa repensar processos sem abandonar os valores que construíram sua reputação de qualidade.
Ao site OrdemGeek, fãs já comentam que aguardam ver como empresas tradicionais responderão a esse desafio.
Yoshida concluiu que o futuro ainda pode reservar surpresas, mas, no momento, a balança pende para o lado chinês.
Enquanto o Japão debate limites trabalhistas e direitos autorais em IA, a China continua pisando no acelerador e ampliando sua presença global.
Resta saber se mudanças regulatórias ou parcerias estratégicas permitirão que os estúdios japoneses recuperem o fôlego perdido.
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