Enquanto o público ainda debatia se o velocista vermelho sobreviveria ao naufrágio de “The Flash”, James Gunn correu por fora: a DC Studios fechou o elenco de seu primeiro personagem ligado ao mito do herói — e fez isso antes mesmo de anunciar quem vestirá o uniforme escarlate. O movimento, revelado por fontes próximas à pré-produção, foi tratado como um simples “acréscimo de apoio”, mas na prática antecipa uma mudança de rota que pode enterrar de vez o legado conturbado de Ezra Miller.
O detalhe que mais chama atenção não é quem foi contratado, mas a ordem da escolha. Gunn repete o gesto que Kevin Feige fez com o Falcão em 2013 e que Zack Snyder tentou com o Comissário Gordon em 2016: apresentar o entorno antes do protagonista. A diferença é o timing; depois de um fracasso de bilheteria e de meses de manchetes negativas, a DC precisava dar um passo sem barulho. Conseguiu.
Coadjuvante chega antes do herói e muda corrida pelo futuro velocista
Segundo apuração da coluna, o personagem escalado é um nome recorrente nas HQs do Flash — mas historicamente secundário — que aparecerá primeiro em “Superman: Legacy”, longa que abre o Capítulo 1 do novo DCU. A escolha coloca o velocista de volta ao mapa sem confrontar a pergunta mais espinhosa: quem será Barry Allen (ou Wally West) daqui para frente?
Na prática, Gunn ganha duas vantagens. A primeira é o tempo: com um coadjuvante já contratado, o diretor pode testar a temperatura do público em cena controlada, algo impossível se revelasse de imediato o novo protagonista. A segunda é o distanciamento jurídico e de imagem em relação a Ezra Miller, ainda envolvido em processos. Assim, o estúdio não parece substituir o ator, mas renovar todo o ecossistema à sua volta.
Lição do MCU e do DCEU: por que o cronômetro de Gunn é arriscado
Marvel e o antigo DCEU já provaram que plantar peças antes do tabuleiro completo pode acelerar a empatia, mas também criar ruído de expectativa. Quando a Marvel apresentou o Falcão antes de confirmar Capitão América 3, precisou administrar boatos sobre troca imediata de escudo. Snyder, por sua vez, escalou J.K. Simmons como Gordon antes de consolidar o Batman de Ben Affleck – e nunca chegou a usá-lo de fato.
Gunn aposta que o público, hoje mais crítico a universos compartilhados, aceitará esperar pelo velocista titular se receber pistas de qualidade — cenário que passa por diálogos bem-escritos e zero fan-service óbvio. Ele conta ainda com a memória curta de Hollywood: a maré de polêmicas de Ezra Miller já não ocupa o noticiário como em 2022, mas qualquer deslize reativa o gatilho.
Nos bastidores, a maior incógnita agora é o cronograma. O contrato do novo elenco de apoio prevê múltiplas aparições até 2030, sinal de que o filme solo do Flash ficará na segunda metade do capítulo “Gods and Monsters”. Tempo suficiente para Gunn observar a reação e, se necessário, recalibrar quem realmente comandará a Força de Aceleração na telona. Até lá, o ponteiro continua correndo — só que, desta vez, o estúdio quer controlar cada segundo.
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