Sem alarde e longe dos flashes de Hollywood, a Marvel instalou nesta semana, em um estúdio de eventos em Xangai, o primeiro material promocional de “Avengers: Doomsday”. O painel iluminado reúne 11 heróis e, num único golpe visual, responde à principal pergunta que rondava o filme: afinal, quem ainda sustenta o peso da marca Vingadores?
A escolha dos personagens — e de quem ficou de fora — expõe a tentativa do estúdio de reafirmar uma hierarquia depois de anos de rota difusa. É também um recado para investidores: o time está fechado bem antes do trailer e pronto para competir com o barulho que “Spider-Man: Brand New Day” deve provocar nas mesmas salas de cinema.
Onze nomes, três ausências gritantes e uma nova ordem em campo
O mural chinês coloca lado a lado Sam Wilson (o novo Capitão América), Thor, Doutor Estranho, Capitã Marvel, Shuri como Pantera Negra, Homem-Formiga, Vespa, Shang-Chi, Hulk, Wong e Peter Parker. Juntos, eles compõem um quadro mais enxuto que o elenco inchado de “Ultimato”, mas ainda diversificado o bastante para cobrir magia, cósmico, rua e comédia.
Mais revelador, porém, é quem não aparece. Hawkeye, já afastado dos planos para este arco — conforme apuramos —, mantêm-se fora do tabuleiro. O mesmo vale para a dupla Guardians remanescente e para figuras recém-anunciadas, como Nova. A omissão confirma o impasse cósmico que o estúdio admitiu semanas atrás, ao tirar o projeto do herói da gaveta mas estacioná-lo indefinidamente.
Internamente, executivos defendem que limitar a linha de frente a 11 rostos famosos facilita a comunicação num cenário em que a própria Marvel já reconhece “fadiga de super-heróis”. É uma inversão de lógica em relação a “Doomsday”, que chegou a ser vendido, no início do desenvolvimento, como o maior crossover da Fase 6.
China vira laboratório de hype para a virada de fase
Escolher Xangai como vitrine não é aleatório. O mercado chinês, que salvou a bilheteria de “Shang-Chi” em 2021, voltou a crescer após a reabertura total dos cinemas e hoje funciona como termômetro de confiança para os estúdios. Segundo analistas locais, a presença de Simu Liu no painel gerou pico de buscas pelo título em plataformas sociais chinesas logo nas primeiras horas de exibição.
A aposta também dialoga com o movimento recente da Marvel de revelar localizações estratégicas antes mesmo do trailer, como as quatro novas bases vistas em teasers internos — tema que destrinchamos em reportagem anterior. Ao exibir elenco e cenários separadamente, a empresa alonga o fluxo de notícias sem entregar a trama.
O sinal verde para a bilheteria global
Executivos do circuito exibidor afirmam que, se o buzz chinês se mantiver, “Doomsday” pode ganhar fôlego para enfrentar o dilema apontado por analistas de bilheteria: a possibilidade de “Brand New Day” engolir o hype dos Vingadores antes mesmo da estreia, como debatido neste artigo. Por ora, o cartaz cumpriu seu papel: reativou a conversa sobre quem verdadeiramente lidera a próxima batalha sem depender de trailer, sinopse detalhada ou convenção de fãs.
Resta saber se a Marvel manterá o elenco restrito até 2026 ou se repetirá o expediente já visto nos quadrinhos — incluir reforços de última hora para inflar a escala do clímax. De qualquer forma, o estúdio conseguiu, com um banner de 11 rostos, algo que não alcançava desde “Ultimato”: fazer o público contar cabeças e discutir, herói por herói, quem tem cacife para salvar o universo desta vez.
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