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Marvel arma “Avengers: Doomsday” para consertar o furo multiversal de Doutor Estranho 2

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Quando Kevin Feige subiu ao palco do pequeno auditório do campus da Marvel em Burbank, ninguém esperava que a palavra “mea-culpa” aparecesse no teleprompter. Mas foi exatamente assim que o presidente do estúdio descreveu a missão secreta de Avengers: Doomsday: corrigir o maior anticlímax de “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura” — a promessa de um multiverso que nunca virou, de fato, coração dramático da história.

O ajuste não é cosmético. A próxima reunião dos Vingadores, marcada para 2026, promove America Chavez de coadjuvante perdida a engrenagem central da Fase 6, reorganiza os Illuminati e transforma as “incursões” citadas por Charlize Theron na cena pós-créditos em gatilho para a guerra total que culmina no encontro com Doutor Doom. Nos bastidores, roteiristas admitem que é raro um blockbuster de US$ 955 milhões receber conserto tão explícito — e tão caro.

America Chavez reassume o volante e muda o eixo da cronologia

Segundo fontes internas, o primeiro tratamento de roteiro de “Doomsday” abre com America testando o mapa dos portais que a Sam Raimi apenas insinuou. A inserção devolve protagonismo à atriz Xochitl Gomez e cumpre a promessa de que o MCU teria finalmente uma “cartógrafa” do multiverso. A personagem será a única capaz de fechar brechas dimensionais antes que mundos colidam, papel que Stephen Strange acreditava ser seu — e não conseguiu exercer.

O resgate de Chavez atende também a uma necessidade mercadológica: colocar um rosto novo entre os gigantes que já discutem renovação de contrato. De acordo com executivos de marketing, a heroína se tornou a favorita em testes de audiência adolescente, superando até Kate Bishop. A nova centralidade ajuda a explicar a decisão de a Marvel retomar Loki e pavimentar o caminho para a cartografia temporal se encontrar com a cartografia espacial.

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Iluminati reformatados expõem mea-culpa do estúdio

Outra ferida aberta em “Multiverso da Loucura” foi a aparição relâmpago dos Illuminati, grupo exterminado em menos de dez minutos. Em “Doomsday”, eles retornam com formação dupla: Reed Richards de John Krasinski lidera a célula 838, enquanto um Reed mais jovem — escalado, mas mantido em sigilo — encabeça a Terra-616. O objetivo é literal: contrastar erros de ego que levam a incursões com uma versão disposta a ceder poder em nome de um plano maior.

Fontes próximas ao departamento criativo contam que a Marvel percebeu o desperdício de expectativa: ao matar o grupo sem consequências, o estúdio eliminou a bússola moral que sustentaria debates sobre intervenção multiversal. Agora, a simples convivência de dois Reeds num mesmo arco servirá como lembrete visual de que cada decisão colapsa realidades. A troca também libera o caminho para Doom, que na nova linha do tempo surge primeiro como aliado, como já apontado na matéria “Doutor Doom chega como aliado”.

Arquitetura de roteiro revê incursões e fecha a porta para erros repetidos

Desde janeiro, Michael Waldron e Jeff Loveness trabalham juntos numa “sala de incursões”, espaço dedicado a mapear cada ponto onde realidades colidem no MCU. A equipe — que inclui um ex-físico teórico e dois revisores de continuidade de quadrinhos — usa painéis móveis com LEDs para simular sobreposições de linhas do tempo. O investimento, descrito como “laboratório” por executivos, serve para evitar a dispersão narrativa que desgastou “Multiverso da Loucura”.

Desse brainstorm já nasceu a regra que norteia todo o ato final de “Doomsday”: cada universo só se une ao clímax se houver custo mensurável para seus heróis. Isso elimina participações gratuitas e evita o festival de cameos vazios criticado em 2022. A meta é que cada entrada transforme o enredo, não apenas o trailer. Ao mesmo tempo, a Marvel mantém a porta aberta para o retorno do Hulk — movimento blindado nos bastidores — e para a ausência de Hawkeye, agora justificada por uma missão solo em outro plano.

Na prática, o estúdio aposta que encarar publicamente seus tropeços reforça a confiança do fã cansado de promessas vazias. Se “Doomsday” cumprir a tarefa de dar consequência real às incursões, o MCU terá enfim o épico multiversal que “Doutor Estranho 2” ensaiou — e deixou na prancheta.

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