Em menos de 40 horas, três pacotes de códigos promocionais despejaram mais de 6 mil gemas na conta de qualquer jogador de Encounters Smash Battles que resolvesse digitá-los. O número equivale a cerca de uma semana inteira de grinding para quem joga sem pagar, segundo monitoramento de comunidades no Discord.
O efeito-relâmpago foi imediato: fila ranqueada virou festa de skins lendárias recém-compradas, personagens raros sofreram queda abrupta de valor de troca e o chat oficial precisou limitar mensagens sobre revenda. O jogo virou o novo laboratório de uma inflacionária “economia do código”, movimento que já sacudiu títulos como Anime Expeditions e Anime RNG Defense.
Hemorragia de gemas muda o ritmo e empurra novatos ao topo
As gemas são a moeda que libera baús, heróis alternativos e modificadores de habilidade — peças que definem o desempenho competitivo. Com os novos cupons, até jogadores de nível 10 entraram em arenas ostentando arsenais antes restritos aos veteranos. O matchmaking, que prioriza tempo de jogo, não conseguiu reagir a tempo e colocou novatos turbinados frente a frente com usuários experientes, bagunçando o sistema de ELO e alimentando denúncias de “pay to win grátis”.
Dados extraídos pela plataforma Rolimons indicam que o preço médio de troca do herói Orion caiu 32 % em 24 horas, maior recuo desde o evento de Halloween de 2023. Para parte da comunidade, o susto é positivo: “É a primeira vez que posso testar personagens top tier sem vender alma ao passe premium”, comenta a streamer BiaSenpai. Para quem investiu Robux reais semanas atrás, porém, a sensação é de prejuízo silencioso.
Por que o estúdio distribui tanto e por que agora
Encounters foi ultrapassado por Anime Showdown e Disaster Piece nos tops de acesso a partir de março. Segundo analistas da Sensor Tower, o jogo perdeu 18 % da base mensal e 11 % da receita de microtransações. O combo de códigos vem como antídoto: impulsiona logins diários e exibe novas skins que só podem ser evoluídas com passes pagos — mecanismo semelhante ao utilizado pela Microsoft em pacotes de XP no Game Pass, alvo de crítica após demissões em massa na divisão Xbox.
O estúdio evita comentar vendas, mas insiders relatam que o pico de retenção pós-código dura cerca de cinco dias. Nesse intervalo, 7 % dos jogadores compram ao menos um boost premium para acelerar evolução das skins. Ou seja, a enxurrada de gemas grátis cria a escassez seguinte: itens cosméticos que só se completam com dinheiro real. “É oferta controlada: liberam um lado do cofre e trancam o outro”, resume o economista digital Caio Brito.
Detalhe que passa batido: o risco de efeito sanfona
Quando a explosão de gemas terminar, quem gastou tudo terá mais heróis, mas zero liquidez. A última atualização de Encounters adicionou tarifa de 10 % sobre revenda de itens — taxa que não existia na Black Friday. Quem segurar personagens para lucrar depois pode ver parte dos ganhos comer pó pelas taxas, enquanto a base retorna ao ciclo de escassez e novos cupons surgem. O jogo entra, assim, em um efeito sanfona de inflação e deflação controladas que vicia a economia interna e confunde qualquer leitura de mercado.
No curto prazo, o festival de códigos garante buzz, vídeos no TikTok e a sensação de progresso acelerado. No médio, planta dúvida sobre a real raridade dos itens e sobre quanto vale investir tempo — ou dinheiro — num meta que pode virar do avesso a cada tweet promocional. O jogador que decida se as gemas fáceis de hoje não viram peso extra na mochila competitiva de amanhã.
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