InícioAnimesLive-action de Naruto corre para escalar trio principal — e já tropeça...

Publicações relacionadas

Live-action de Naruto corre para escalar trio principal — e já tropeça no próprio hype

- Publicidade -

Destin Daniel Cretton abriu, na madrugada desta terça (18), o primeiro lote de audições para viver Naruto, Sasuke e Sakura no cinema. A convocação, enviada a agências de Los Angeles, Londres e Tóquio, pede “adolescentes de 14 a 18 anos, qualquer etnia, inglês fluente e alguma experiência em artes marciais”. Parecia o sinal verde definitivo de um projeto que mudou de mãos inúmeras vezes desde 2013 — até o texto detalhar que as filmagens começam ainda em 2025, mesmo sem roteiristas recontratados após a greve em Hollywood.

A pressa surpreende quem acompanhou a década de gestação do longa. O sucesso de One Piece na Netflix transformou adaptações de mangá em trunfo urgente para estúdios, mas a escala agressiva de prazos pode repetir o histórico de fracassos do gênero. O que pouca gente percebeu: a própria descrição de elenco já mostra como o filme tenta agradar todo mundo — e, nesse esforço, ameaça não agradar ninguém.

Audições abertas após 11 anos expõem corrida contra o hype de One Piece

Desde que Cretton deixou a Marvel momentaneamente para assumir o projeto, a Lionsgate exigiu um cronograma “comercialmente competitivo”, segundo membros da equipe de casting. Em outras palavras, o estúdio quer o filme perto das bilheterias de 2026, antes que a onda live-action esfrie. Só que o roteiro provisório precisa de reescrita — e isso ainda depende de contratos em renegociação depois das paralisações nos EUA.

O diretor tenta repetir o modelo ágil de Shang-Chi, que foi escrito, pré-produzido e filmado em 24 meses. Mas Naruto carrega um obstáculo extra: a mítica rivalidade entre protagonista e antagonista, central para fãs que discutem desde Boruto como o original envelheceu. Erros de caracterização matam esse conflito na largada — vide o Dragonball Evolution. A audição global acelerada pode ser eficiente para achar talentos, mas limita o trabalho de preparação dramática que transformou Iñaki Godoy num Luffy convincente na série rival.

- Continua após publicidade -

Busca global por Naruto adolescente revela dilema cultural que Hollywood evita encarar

O chamado “qualquer etnia” mostra abertura, mas expõe o impasse: manter a identidade japonesa da Vila da Folha ou ocidentalizar tudo para atingir mercados maiores? Executivos querem elenco diverso que ecoe a estratégia de Shang-Chi, porém funcionários japoneses da Shueisha — licenciadora do mangá — defendem nomes nipônicos para ao menos o protagonista. O resultado, contam agentes, é uma triagem confusa: atores de ascendência asiática recebem textos cheios de termos em inglês coloquial, enquanto candidatos ocidentais precisam demonstrar pronúncia correta de “chakra” e “Hokage”.

Esse nó cultural tem efeito prático. Instrutores de língua japonesa contratados pelo estúdio ganharam apenas três semanas para criar um dialeto híbrido, o que dilui a sonoridade que fãs associam às técnicas ninja. Além disso, dublês de artes marciais foram orientados a “suavizar selos de mão” para não parecer gesticulação incompreensível ao público médio. Cada concessão diminui a chance de fidelidade que sustentou o boca a boca de One Piece.

Se o cronograma não mudar, o filme de Naruto corre o risco de chegar aos cinemas como vitrine de boas intenções atropeladas. E a maior lição que Masashi Kishimoto ensinou — paciência para treinar antes de lutar — parece ter sido a primeira a ser esquecida em Hollywood.

Acesse diariamente nossas dicas sobre animes e games para não perder nada. Siga também o RadioGeekBR no Facebook!

- Anúncio -

Últimas publicações